C'est la vie
Have your leaves all turned to brown
Will you scatter them around you
C'est la vie.
Do you love
And then how am I to know
If you don't let your love show for me
C'est la vie.
(Chorus) Oh, oh, c'est la vie.
Oh, oh, c'est la vie.
Who knows, who cares for me...
C'est la vie.
In the night
Do you light a lover's fire
Do the ashes of desire for you remain.
Like the sea
There's a love too deep to show
Took a storm before my love flowed for you
C'est la vie
(Chorus) Oh, oh, c'est la vie.
Oh, oh, c'est la vie.
Who knows, who cares for me...
C'est la vie.
Like a song
Out of tune and out of time
All I needed was a rhyme for you
C'est la vie.
Do you give
Do you live from day to day
Is there no song I can play for you
C'est la vie.
(Chorus) Oh, oh, c'est la vie.
Oh, oh, c'est la vie.
Who knows, who cares for me...
C'est la vie.
Minha mãe tinha uma definição curiosa para a segunda infância. Para ela, era a época em que as crianças "começavam a se entender por gente". Talvez seja porque elas não necessitem mais cuidados de bebê e já tenham alguma compreensão do certo e do errado. Bem, foi nessa época em que eu ganhei da minha avó de criação uma vitrola. Era uma Philips e tinha a cor vermelha. Como naquela época eu era meio metido a ser adulto, pedia que me comprassem trilhas sonoras de novelas. Não tava muito a fim de ter aqueles disquinhos com histórinhas infantis. Ninguém lá em casa achou estranho minha preferência e tive assim o meu primeiro contato mais estreito com a música.
Em 1977, a Globo estava exibindo uma novela chamada "Espelho Mágico". Se não estou enganado (e não tenho tempo para pesquisar), o tema era o universo da televisão, tanto que tinha "uma novela dentro da novela". Esse exercício metalinguistico foi uma sacada interessante. Não sei se teria espaço nas novelas produzidas em pelo século 21. Eu acabei comprando a sua trilha sonora internacional. Na verdade nem me lembro direito de todas as músicas, mas uma delas me chamou a atenção. Era "C'est La Vie", de Emerson, Lake and Palmer. O problema é que eu não cuidava muito bem dos meus vinis e essa foi a faixa que justamente começou a apresentar "pulos" contínuos, dificultando a audição. De qualquer forma, foi uma das músicas que, digamos, ficou e ela passou a ser constantemente executada nas nossas rádios de flash backs. E foi graças a esse tipo de emissora que reencontrei "C'est La Vie" depois de todos esses anos. É claro que a sensação foi diferente. Afinal, eu já não era mais uma criança. Dessa vez, foi possível aproveitar não só a sua delicada textura musical. A letra fala de um amor distante, impossível de ser consumado. Assim é a vida. Muitas vezes, não podemos estar perto da pessoa que gostariamos de ter ao lado. Daí, aquela sensação de abandono "Who knows, who cares, for me..."
"C'est La Vie" destoa do repertório tradicional de Emerson, Lake and Palmer. Comparem essa canção com o arranjo que fizeram para "Fanfarre For The Common Man". Quem não conhece, não vai achar que é a mesma banda. Eu estava pesquisando no Google para encontrar a letra de "C'est La Vie" e fui parar numa página em de um fã daqui do Brasil na qual ele classificava essa música de "criminosa". Na verdade, criminosa mesmo é a falta de sensibilidade musical de algumas pessoas...
sábado, janeiro 11, 2003
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Rodney Brocanelli
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sexta-feira, janeiro 10, 2003
A seleção brasileira de futebol, enfim, tem um novo técnico e essa questão de Carlos Alberto Parreira ter dito em entrevistas recentes que não ocuparia mais esse posto a partir de agora é um assunto secundário. Interessa saber qual Parreira irá assumir de fato: o de 1994 ou o de 2002? É a grande dúvida que só irá se resolver depois dos primeiros jogos da seleção neste ano.
Em 1994, encontramos um Parreira que diza frases lapidares do tipo: "o gol é apenas um detalhe". Ele ganhou uma Copa do Mundo à frente da seleção, é verdade, mas depois de irritar meio mundo fazendo o Brasil apresentar um futebol tosco, ultra-hiper-defensivo, com pouquissima criação e dependente dos lampejos de craque de um Romário. Sete anos depois, um susto. Parreira nem parece o técnico da campanha do tetra e dirige um imbatível Corinthians, campeão de duas competições e vice em uma, no qual o destaque era o esquema com três (eu disse três) atacantes, como bem lembrou Alexandre Inagaki dia desses em seu blog.
Esse dilema de um técnico seguir uma linha de trabalho diferente na seleção da não é novo. Luxemburgo fracassou na seleção muito mais por não ter sido aquele técnico quase genial dos anos de 1993, 1994, 1996 (no Palmeiras) e 1998 (no Corinthians). Em vez disso, achou que era o rei da cocada preta e o resultado ele próprio sentiu na pele. Zagallo foi um treinador ousado e inovador em 1970 juntando craques que, segundo os críticos, não poderiam jogar juntos. Mas depois do Tri, também teve uma crise de personalidade, achou que era um semi-deus e perdeu duas copas: 1974 e 1998. Luiz Felipe Scolari não cometeu o mesmo erro. Foi fiel aos seus princípios, ao seu estilo e voltou da Coréia/Japão com o penta. Agora é a vez de Parreira mostrar que tipo de técnico será nessa sua nova fase na seleção. Tomara que ele seja o mesmo do ano passado, caso contrário o torcedor terá de ter uma paciência de Jó para acompanhar os jogos válidos pelas eliminatórias.
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quinta-feira, janeiro 09, 2003
Uma de minhas matérias que fez mais sucesso em 2002 foi a entrevista que eu fiz com Roberto Maia, ex-diretor da Rádio Brasil 2000 FM (SP). Além de ser publicada originalmente no e-zine Ruídos (que um dia será atualizado, só não sei quando), ela também consta de um site dedicado a memória do rádio, o Radiohistoria. Agora, para minha surpresa e satisfação, o papo também consta da seção de Escritos Radiofônicos do portal Rádio Base.
É isso aí, nada é perecível na Internet.
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segunda-feira, janeiro 06, 2003
"Cadê as Rádios Piratas?", pergunta meu amigo Gilberto Custódio Jr. na seção News do zine Esquizofrenia. Essa é uma curiosidade que eu também tenho. São Paulo está infestada por centenas de emissoras clandestinas, mas o perfil de 99,99% delas que está no ar é de dar pena. Algumas delas estão na mão de grupos religiosos, outras na mão de pessoas que querem ganhar um troco fácil vendendo anúncios e espaço de programação, mas sem se importar com a qualidade do conteúdo, copiando o modelo das emissoras de sucesso. Rádios como a Onze são cada vez mais raras.
O dial paulistano está sobrecarregado a cada dia que passa. Um dos motivos é a explosão das rádios clandestinas das quais eu falei. Outro, é o fenômeno das "rádios que andam", revelado pela jornalista Laura Matos, na Folha de S. Paulo. São emissoras cuja concessão pertence a cidades próxmas a de São Paulo, mas que, devido a um tipo de artifício jurídico, acabam vindo operar a partir daqui mesmo, de olho nas verbas do mercado publictário. Um exemplo é a veneranda Kiss FM, dedicada ao "classic rock". Oficialmente, ela é de Arujá, mas sua sede está localizada na Av. Paulista. Quem perde são os arujaenses Eles ficaram sem rádio que atenda aos seus interesses.
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quinta-feira, janeiro 02, 2003
Dia de preguiça, resolvi juntar todos os textos que eu escrevi aqui para o Onzenet tratando sobre a Rádio Onze. Quem acompanha o blog sabe que nos seus primeiros dias de vida me dediquei muito a fazer algumas considerações sobre minha passagem por lá. É claro que se trata de uma visão bem particular daquilo que aconteceu entre 1995 e 1998. Uma coisa eu tenho sempre dito: a história da Onze precisa ser contada por mais e mais pessoas que não sejam eu. É uma emissora que tem uma importância enorme no movimento de rádios livres até por ser uma das poucas iniciativas de univeristários.
Os textos estão aqui. Usei o nome de Diário de Bordo para essa complicação. Foi mais porque eu usei a estrutura do blog que qualquer outra coisa. Não esperem nada do tipo: "...hoje eu acordei e fui para a rádio...", mas é aquela velha mistura de fatos, memória e opinião.
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quarta-feira, janeiro 01, 2003
Se eu estiver errado que me corrijam, mas acho que nunca um presidente da República esteve tão exposto como Lula durante o trajeto percorrido da Granja do Torto até o Congresso Nacional. Andando num Rolls Royce conversível, ele se transformou num alvo fácil de atiradores de ovos, para dizer o mínimo. Está certo que trata-se de uma festa popular, afinal foi um presidente eleito em eleições diretas, mas alguns cuidados teriam que ser tomados. Um popular chegou a invadir o automóvel que levava Lula e seu vice-presidente para abraça-lo e quase o derrubou. Foi um inicidente sem maiores consquencias, ainda bem, mas que evidenciou o erro de estratégia.
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segunda-feira, dezembro 30, 2002
Uma coisa bacana de ser notar é que cada vez mais jornalistas vão aderindo a ferrementa blog. E outra coisa mais bacana ainda de se notar é que mais e mais jornalistas bacanas estão entrando na onda. O caso mais recente é de Alex Antunes, que resolveu mostrar neste dezembro o seu dedo do meio, compilando alguns textos escritos para revistas e zines, além de outros quase inéditos. Um exemplo dessa mistura é "Quem tem medo da MPB? 1969-2002, ou 33 anos entre a magia & o truque", uma das analíses mais sensatas sobre a relação do rock brasileiro pós-1982 com a "tal música popular brasileira". Outro texto imperdível é "Meu Amigo; Joe Strummer", mas sobre ele não vou entregar seu conteúdo. Cada um que trate de ler e entender o porquê. Mas não é só de música que vive o blog de Alex. Há ainda a descoberta de uma nova tribo urbana: os "Fofos".
Alex Antunes participou da primeira equipe de jornalistas que lançou a revista Bizz na segunda metade da década de 80. Além disso, é músico e já escreveu letras clássicas como "Atropelamento e Fuga", gravado originalmente por Akira S. & As Garotas que Erraram, mas que viria a ser um hit com Scowa e a Máfia. Lançou recentemente um romance pela Editora Conrad, chamado "A Estratégia de Lilith". Porém, seu ganha-pão é mesmo o jornalismo.
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Rodney Brocanelli
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sexta-feira, dezembro 27, 2002
O fim das transmissões do programa Garagem, que ia ao ar pela Rádio Brasil 2000 FM (SP), talvez tenha sido um dos acontecimentos do ano no meio rádio. Para saber um pouco mais dessa história, o zine Esquizofrenia (representado por este que vos escreve e Gilberto Custódio Jr, seu editor) foi procurar Paulo Cesar Martin, o Paulão. O resultado foi a entrevista que pode ser conferida a seguir: http://www.esquizofreniazine.hpg.ig.com.br/paulao.htm
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quinta-feira, dezembro 26, 2002
Ainda na esteria das boas notícias, outra delas é a volta do Trabalho Sujo, desta vez na Internet. Para quem não conhece, era uma seção dominical sobre música que ocupava duas páginas do jornal campineiro Diário do Povo. Pilotada pelo jornalista Alexandre Matias, um dos méritos do TS era o de colocar lado-a-lado artistas (e lançamentos) tanto do mainstream como do underground, sem qualquer tipo de distinção. Era como se estivesse querendo dizer ao leitor algo do tipo: "as opções estão aí; te vira!", naquilo que hoje está muito em voga, a tal mensagem subliminar. Outro diferencial eram os textos de Matias. Conscientemente ou não, ele teve a manha de trazer para o jornalismo musical a linguagem ensaística vista nos cadernos culturais mais, digamos, "cabeça", como o antigo Folhetim (do final dos anos 80) e do atual Mais!, ambos da Folha de S. Paulo, e do Idéias, do Jornal do Brasil, para citar alguns exemplos. Talvez a idéia fosse pegar bandas pop do porte de um Duran Duran e elevá-las à categoria de arte, assim como as obras dos grandes mestres da pintura e da literatura resenhadas nos respectivos cadernos. Ao fazer isso, Matias assume um risco do ponto de vista jornalistico: seus textos podem tanto trazer abordagens bacanas e interessantes ou então serem completamente entediantes. Porém, o que torna valorosos os escritos de Matias é o fato de se romper com os padrões vigentes da crítica musical brasileira e assumir riscos, coisa que muitos de seus pares não topam fazer por n motivos que merecem uma análise à parte.
Ao retomar o Trabalho Sujo, Alexandre Matias parece estar querendo reviver seu melhor momento como jornalista depois de uma passagem tumultuada como editor da revista Play, recém-extinta pela Editora Conrad. Tomara que em breve ele possa levar de volta ao jornalsimo impresso a seção que fez a cabeça de uma moçada que verdadeiramente gosta de música, não se submetendo aos caprichos do mercado.
Para conhecer um pouco mais da filosofia e da história do Trabalho Sujo, leia aqui essa entrevista que eu fiz com o Matias, em 1999, para seção de entrevistas da página da Rádio Onze.
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Boa notícia nesse período de festas: a revista Frente não acabou.
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sábado, dezembro 21, 2002
If the wild bird could speak
She'd tell of places you had been
She's been in my dreams
And she knows all the ways of the wind
Polly, come home again
Spread your wings to the wind
I felt much of the pain
As it begins
Dreams cover much time
Still they leave blind
The will to begin
I searched for you there
And now look for you from within
Polly, come home again
Spread your wings to the wind
I felt much of the pain
As it begins
A letra de música para este final de semana é Polly, mas não confundam com aquela do Nirvana. Quem a compôs foi Gene Clark, ex-integrante do The Byrds. Aliás, com a lendária banda, ele gravou os dois primeiros álbuns: Mr. Tambourine Man e Turn! Turn! Turn! Essa música é de sua carreira-solo e pode ser encontrada no álbum "Through The Morning, Through The Night ". Dizem até que Clark é melhor que Bob Dylan como letrista (sendo apontado como o Grande Poeta da América), mas não vou entrar nesse mérito. Quero usar Polly como gancho para falar de outra coisa. Se não fosse por Thomas Pappon eu não teria conhecido essa canção. Ele a regravou brilhantemente no CD "Eurosambas", de seu projeto musical chamado The Gilbertos. Thomas, conscientemente ou não, prestou um belo serviço a muita gente, pegando uma música de 1969, escrita por um compositor bacana, e trazendo para os dias de hoje. Essa seria a função primordial dos "covers", mas esse espírito se perdeu, principalmente na MPB. Um exemplo vivo é o de Gal Costa, que regravou em seu mais recente CD uma música dos Titãs lançada no ano passado: "Epitáfio" (aquela mesma do "devia ter amado mais.."). Das duas, uma: é preguiça de procurar ou então é aquela velha síndrome de apostar naquilo que já é conhecido, para não "assutar" o público.
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11:49 PM
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quinta-feira, dezembro 19, 2002
Alô você que me disse não estar acessando minha estação na Usina do Som. Descobri o que houve. Para ouvir as estações pessoais e desfrutar de outros serviços do site, as pessoas devem se cadastrar antes. Fazendo isso, você conseguirá ouvir a minha seleção pessoal, chamada de rádio Onzenet.
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10:47 PM
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O Folhateen e a Folha On Line querem saber quais os melhores CDs nacionais e internacionais de 2002. O voto pode ser feito no próprio site, e o resultado sai no dia 13 de janeiro, no suplemento da Folha de S. Paulo. Entre os lançamentos nacionais, eu votei em "Amanhã é Tarde", do Fellini. Ainda não escolhi o melhor disco internacional. Se duvidar, acho que nem voto, mas aceito sugestões.
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9:50 PM
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Quer conhecer o blog mais fru-fru da Internet? Então, vá ao Demi's Blog
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segunda-feira, dezembro 16, 2002
Atenção para os blogs novos incluidos na lista aí do lado esquerdo da tela: A Ostra e o Vento, da Ana Lira, colaboradora do site Rabisco, bem literário, por sinal, e o Page, da brasiliense Lívia Caldas.
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11:15 PM
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E por falar em revistas que param de circular, atenção para o comunicado abaixo:
Caros Players:
A Conrad parou de publicar a revista Play.
Dá dó mas não tinha outro jeito.
A Play era um investimento de longo prazo. Nunca deu dinheiro. Mas 2002 foi um ano em que tudo ficou no curto prazo. 2003 promete o mesmo.
E pra fechar a tampa o custo industrial de fazer uma revista (papel + impressão) subiu 36% esse ano (até agora). Ou seja, daqui para a frente o buraco ia virar abismo.
Sinto muito.
Bom, mas se a Play fosse indispensável, os leitores topariam pagar R$ 10.00 por ela. E se muitos leitores fizessem isso íamos conseguir vender 30 anúncios a R$ 10.000 cada, certo?
É. Sim. Taí a Playboy que custa R$ 9.90, tá cheia de anúncio caro e vende como se fosse a rabeta da Kelly Key.
Mas o ponto é que a Play sempre foi idiossincrática. Não era clone de nada, nem gringo nem brazuco. Era inesperada, esquisita, cheia de besteiras, de erros estúpidos, mas de acertos surpreendentes e abordagens únicas. Era num certo sentido um webzine feito revista.
O que faz todo sentido. Porque cada vez mais o lugar do risco, da ousadia, da idiossincrasia é a internet. O mundo das revistas no Brasil está cada vez mais como o mundo dos iogurtes, dos refrigerantes, das commodities. Ninguém espera que um iogurte seja ousado. Espera que ele seja exatamente igual ao que você comeu a semana passada, mesma consistência, embalagem, quantidade de calorias.
A Conrad, inevitavelmente, vai continuar tentando fazer algumas coisas de maneira mais arriscada e atravessada. Não tudo. Algumas coisas.
Pois agora a Play vai ser um webzine mesmo. Acho que melhor que antes. Estréia ainda em dezembro. Temos vários planos para o site Play para o ano que vem. Estamos inclusive pensando em produtos especiais Play. Aliás tenho certeza que um dia vamos acabar lançando uma outra revista chamada Play, o título é muito bom...
Saludos amigos
André
O André que assina esse comunicado é o Forastieri, proprietário da Editora Conrad.
Menos mal que o site vai continuar existindo.
Taí uma grande lição para quem está no mercado de revistas. O público leitor da Play foi tratado com diginidade, sendo informado dos problemas que causaram a extinção do título.
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Rodney Brocanelli
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O lance é o seguinte: a Frente acabou depois de apenas três edições. A informação básica é essa. Detalhes dos motivos que levaram a essa decisão de acabar com a publicação ainda não são conhecidos. Pode até ser que esse fim não seja definitvo. Talvez ela volte por uma outra editora, talvez não. Vale lembrar que a Frente era resultado de uma parceiria entre as editoras REM, de propriedade dos jornalistas Ricardo Alexandre, Emerson Gasperin e Marcelo Ferla, e a Ágata, que publica a DJ World. Se a revista foi lançada com toda pompa, circunstância e barulho no primeiro semestre do ano, nenhum comunicado foi distribuido desta vez para explicar o que houve de verdade. Para piorar, a home page oficial está desatualizada. Os leitores merecem uma satisfação, principalmente aqueles que tentaram achar a Frente nas bancas de outras partes do país e ficaram a ver navios (sabia mais lendo aqui).
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Rodney Brocanelli
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quinta-feira, dezembro 12, 2002
As circunstâncias da morte de Mary Hansen, do Stereolab, me fizeram lembrar de outra personalidade da música pop que também perdeu a vida andando de bicicleta: Nico, que cantou algumas músicas no primeiro álbum do Velvet Underground. Aconteceu em 1988, porém, eu pelo menos nunca soube realmente o que houve de fato. Na época, li em alguns lugares que ela teria morrido após perder o equilibrio, cair e bater a cabeça no chão. Outros jornais publicaram uma versão diferente, a de que ela teve um derrame cerebral enquanto pedalava. A única coisa em comum nas duas histórias é a bicicleta.
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Rodney Brocanelli
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Um pouco de música para relaxar é bom, não? Então convido todos a ouvirem a minha estação pessoal na Usina do Som. Procure por Onzenet e você terá uma amostra do tipo de sons que eu gosto. Enquanto eu escrevo esta nota, tá rolando "Asking For It", do Hole. Pena que a história recente de Courtney Love a partir de seu casamento com Kurt Cobain ofusque bastante o trabalho de sua ex-banda. Se a grande maioria se esquecer quem é Courtney e se concentrar apenas no som vai encontrar grandes méritos. O primeiro álbum, "Live Trough This", é simplesmente sensacional, mas injustiçado devido ao que Courtney representa fora da música.
Por falar nela, lembrei de uma entrevista concedida peloKid Vinil à Rádio Onze, isso em 1995. Ele foi visitar nossos estúdios com a intenção de divulgar o CD "Xu-pa-ki", que lançou usando o nome de Verminose (hoje ele voltou a trabalhar com a marca Magazine). Foi uma verdadeira sabatina, vários programadores da emissora participaram fazendo perguntas. Papo vai, papo vem e ele falou um pouco de CL:
"Eu entrevistei certa vez o Jack Endino, que esteve produzindo o disco dos Titas. É um cara supersimples. Eu peguei o compacto do Hole que ele produziu e pedi que falasse um pouco dela. Ele se recusou a falar. Endino acha que ela é responsável por uma série de coisas, é uma mulher complicada como pessoa. Agora artisticamente eu acho legal, embora o Jack Endino tenha dito que todas as músicas dela se parecem com "Smeels Like Teen Spirt", do Nirvana, o que eu discordo. Ela pegou um pouco daquela postura do Kurt Cobain. Se ela se aproveitou de uma série de coisas, o fato de ter se casado com ele, isso eu acho relativo. Qualquer pessoa no lugar dela faria o mesmo. Oportunismo ou não, ela está fazendo um trabalho legal".
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