No apagar as luzes de 2002, a Polícia Federal finalmente conseguiu uma boa investida contra a Rádio Planeta 90 FM, que funciona sem concessão aqui em São Paulo. Foram apreendidos equipamentos, fitas contendo a programação da emissora e até armas ( ! ), segundo a notícia que saiu no Estadão. Porém, o Padre Francisco Silva é incansável e, enquanto eu escrevo essa nota, sua emissora sem concessão continua em funcionamento.
Ainda sobre as rádios piratas, aconteceu na semana passada a primeira apreensão do governo Lula. "A Polícia Federal e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fecharam uma rádio que opearava ilegalmente em Itabaiana, interior da Paraíba. No dia 14 de janeiro, a emissora que se auto denominava Rádio Comunitária Vale do Paraíba FM teve seu equipamento confiscado, sob a alegação de que a operação da emissora era ilegal porque não tinham concessão para operar". Maiores detalhes no blog Rádio Base.
Para quem quiser entender um pouco mais desta polêmica, sugiro a leitura deste meu artigo publicado no Observatório da Imprensa.
Para terminar, fuçando na Internet, achei este site de ódio às rádios piratas.
terça-feira, janeiro 21, 2003
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sábado, janeiro 18, 2003
Mino Carta dá a sua visão sobre a crise financeria que assola as empresas do setor jornalístico. A entrevista foi publicada em maio de 2002, mas não está tão datada assim e ajuda a entender o caos que tem gerado inúmeras demissões de jornalistas. Só não concordo quanto às suas críticas em relação ao excesso de cores nos jornais. O público consumidor tem uma formação muito mais aúdio-visual que o europeu, eminentemente formado pelas letras (vou usar assim). Para o leitor brasileiro ficaria um pouco mais díficil de se digerir fotos em preto e branco e, quem sabe, os índices de vendas estariam num patamar muito abaixo da realidade atual. Mino acerta ao criticar os altos salários de muita gente que está em cargos de chefia.
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quinta-feira, janeiro 16, 2003
Conheci a Marinilda Carvalho através de um aritgo que ela publicou no Observatório da Imprensa sobre desempenho da imprensa na cobertura da final da Copa de 1998. O jogador Ronaldo teve aquela famosa convulsão e, na época, a coisa pegou meio mundo de surpresa. Para Marinilda, a imprensa não teve um bom desempenho nesse assunto: "todos levaram bola nas costas". Segundo Marinilda, "Nossa imprensa tetracampeã está tão acostumada a cobrir a Copa de camarote que todo mundo falhou na primeira chance de verdadeiramente apurar um fato vital no Mundial de futebol. A poucos minutos do jogo, os repórteres dos outros países corriam como loucos às cabines das rádios e das TVs brasileiras para perguntar por que Edmundo estava escalado no lugar de Ronaldinho - e ninguém sabia a resposta". Algumas semanas depois, eu mandei um mail contra-argumentando. Disse que embora a imprensa tenha sido surpreendida pelos acontecimentos, ela teve uma boa capacidade de reação e, nos dias que se seguriam. foram exibidas e publicadas reportagens que ajudaram a entender um pouco mais o que aconteceu naquele dia. Apesar das visões opostas, o que poderia gerar uma polêmica raivosa, a diferença de opiniões gerou uma grande amizade virtual. Ela até me incentivou a escrever mais e minhas considerações volta e meia estavam lá no Caderno do Leitor. Nesse últimos anos, passei a colaborar regularmente através de textos de maior fôlego. Eu estou contando essa histórinha aqui para dizer que a Mari também está com o seu blog, o Marinildadas, com considerações sobre a política nacional e o jornalismo.
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terça-feira, janeiro 14, 2003
A revista Zero na sua primeira edição de 2003 resolveu inovar. Em vez da tradicional votação de melhores do ano, decidiu-se apurar os melhores álbuns do rock brasileiro nos últimos 20 anos. O texto da reportagem diz que foi a maior votação do gênero já feita. O colégio eleitoral teve 177 votantes, entre músicos e jornalistas. O vencedor foi "Nós Vamos Invadir Sua Praia", do Ultraje a Rigor, seguido de "Cabeça Dinossauro", dos Titãs e "Dois", da Legião Urbana. Entre os cinco primeiros, a única banda que não não apareceu na década de 80 é Los Hermanos. "O Bloco do Eu Sozinho" ocupou a quarta colocação e "Vivendo e Não Aprendendo", do Ira! na quinta. O resultado completo está aqui, com a lista de todos os álbuns que foram votados, assim como seus eleitores, entre os quais este aqui que vos escreve. Uma de minhas escolhas que entrou na lista dos Top 10 foi "Afrociberdélia" do Chico Science, que ficou na sétima colocação. Alguns deverão reparar que eu votei em "Passos no Escuro", da banda Zero, aquela mesma do Guilherme Isnard, que conseguiu uma boa popularidade nos idos de 1986. Pode parecer brincadeira (o voto na banda Zero para a revista Zero), mas foi a sério mesmo. O Phillpe Seabra, do Plebe Rude, também lembrou dele. Se pudesse ter votado em mais álbuns, eu teria incuido "Suspeito", de Arrigo Barnabé e "Olhar", do Metrô. De qualquer forma, acho que a lista tá bem redonda, sem grandes injustiças, contemplando tanto o mainstream como o independente e isso é muito saudável.
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segunda-feira, janeiro 13, 2003
Lendo o blog do Léo Jaime, lembrei de uma polêmica que aconteceu no final da década de 80. Ele havia passado a atuar como jornalista, escrevendo para jornais como O Globo e a Folha de S. Paulo. Na ocasião, o Sindicato dos Jornalistas do Rio protestou, alegando que ele estava ocupando o lugar de um profissional que tinha curso superior de jornalismo. Léo passou por cima de todos esses problemas e seguiu escrevendo para outros jornais e revistas, como a Capricho. Hoje, ele é comentarista do SBT, participando das transmissões dos jogos da seleção brasileira no campeonato sul-americano sub-20.
O Sindicato cumpriu seu papel, que é o de defender a classe. Mas se pessoas como Léo Jaime conseguem escrever bem, coordenar suas idéias de modo eficiente e conseguir ser compreendido por aqueles que o lêem, elas devem ter espaço em jornais e revistas. Vou mais longe. QUALQUER PESSOA, que tenha o diploma ou não, e que cumpra esses requisitos, deve ter o direito de atuar profissionalmente como jornalista.
Léo Jaime é um tremendo compositor. Eu gosto muito de "A Vida Não Presta", "Rock Estrela" e "A Fóruma do Amor. Pena que não exista uma rádio aqui no Brasil que seja dedicada a resgatar esse tipo de música. Pelo menos, faz muito tempo que não ouço "A Fórmula..." O Bloco de Notas do Léo é bacana, embora tenha alguns errinhos de revisão, mas qual não tem? (é só procurar aqui mesmo no Onzenet). Um de seus textos está causando furor e fala sobra a ditadura da estética.
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sábado, janeiro 11, 2003
C'est la vie
Have your leaves all turned to brown
Will you scatter them around you
C'est la vie.
Do you love
And then how am I to know
If you don't let your love show for me
C'est la vie.
(Chorus) Oh, oh, c'est la vie.
Oh, oh, c'est la vie.
Who knows, who cares for me...
C'est la vie.
In the night
Do you light a lover's fire
Do the ashes of desire for you remain.
Like the sea
There's a love too deep to show
Took a storm before my love flowed for you
C'est la vie
(Chorus) Oh, oh, c'est la vie.
Oh, oh, c'est la vie.
Who knows, who cares for me...
C'est la vie.
Like a song
Out of tune and out of time
All I needed was a rhyme for you
C'est la vie.
Do you give
Do you live from day to day
Is there no song I can play for you
C'est la vie.
(Chorus) Oh, oh, c'est la vie.
Oh, oh, c'est la vie.
Who knows, who cares for me...
C'est la vie.
Minha mãe tinha uma definição curiosa para a segunda infância. Para ela, era a época em que as crianças "começavam a se entender por gente". Talvez seja porque elas não necessitem mais cuidados de bebê e já tenham alguma compreensão do certo e do errado. Bem, foi nessa época em que eu ganhei da minha avó de criação uma vitrola. Era uma Philips e tinha a cor vermelha. Como naquela época eu era meio metido a ser adulto, pedia que me comprassem trilhas sonoras de novelas. Não tava muito a fim de ter aqueles disquinhos com histórinhas infantis. Ninguém lá em casa achou estranho minha preferência e tive assim o meu primeiro contato mais estreito com a música.
Em 1977, a Globo estava exibindo uma novela chamada "Espelho Mágico". Se não estou enganado (e não tenho tempo para pesquisar), o tema era o universo da televisão, tanto que tinha "uma novela dentro da novela". Esse exercício metalinguistico foi uma sacada interessante. Não sei se teria espaço nas novelas produzidas em pelo século 21. Eu acabei comprando a sua trilha sonora internacional. Na verdade nem me lembro direito de todas as músicas, mas uma delas me chamou a atenção. Era "C'est La Vie", de Emerson, Lake and Palmer. O problema é que eu não cuidava muito bem dos meus vinis e essa foi a faixa que justamente começou a apresentar "pulos" contínuos, dificultando a audição. De qualquer forma, foi uma das músicas que, digamos, ficou e ela passou a ser constantemente executada nas nossas rádios de flash backs. E foi graças a esse tipo de emissora que reencontrei "C'est La Vie" depois de todos esses anos. É claro que a sensação foi diferente. Afinal, eu já não era mais uma criança. Dessa vez, foi possível aproveitar não só a sua delicada textura musical. A letra fala de um amor distante, impossível de ser consumado. Assim é a vida. Muitas vezes, não podemos estar perto da pessoa que gostariamos de ter ao lado. Daí, aquela sensação de abandono "Who knows, who cares, for me..."
"C'est La Vie" destoa do repertório tradicional de Emerson, Lake and Palmer. Comparem essa canção com o arranjo que fizeram para "Fanfarre For The Common Man". Quem não conhece, não vai achar que é a mesma banda. Eu estava pesquisando no Google para encontrar a letra de "C'est La Vie" e fui parar numa página em de um fã daqui do Brasil na qual ele classificava essa música de "criminosa". Na verdade, criminosa mesmo é a falta de sensibilidade musical de algumas pessoas...
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sexta-feira, janeiro 10, 2003
A seleção brasileira de futebol, enfim, tem um novo técnico e essa questão de Carlos Alberto Parreira ter dito em entrevistas recentes que não ocuparia mais esse posto a partir de agora é um assunto secundário. Interessa saber qual Parreira irá assumir de fato: o de 1994 ou o de 2002? É a grande dúvida que só irá se resolver depois dos primeiros jogos da seleção neste ano.
Em 1994, encontramos um Parreira que diza frases lapidares do tipo: "o gol é apenas um detalhe". Ele ganhou uma Copa do Mundo à frente da seleção, é verdade, mas depois de irritar meio mundo fazendo o Brasil apresentar um futebol tosco, ultra-hiper-defensivo, com pouquissima criação e dependente dos lampejos de craque de um Romário. Sete anos depois, um susto. Parreira nem parece o técnico da campanha do tetra e dirige um imbatível Corinthians, campeão de duas competições e vice em uma, no qual o destaque era o esquema com três (eu disse três) atacantes, como bem lembrou Alexandre Inagaki dia desses em seu blog.
Esse dilema de um técnico seguir uma linha de trabalho diferente na seleção da não é novo. Luxemburgo fracassou na seleção muito mais por não ter sido aquele técnico quase genial dos anos de 1993, 1994, 1996 (no Palmeiras) e 1998 (no Corinthians). Em vez disso, achou que era o rei da cocada preta e o resultado ele próprio sentiu na pele. Zagallo foi um treinador ousado e inovador em 1970 juntando craques que, segundo os críticos, não poderiam jogar juntos. Mas depois do Tri, também teve uma crise de personalidade, achou que era um semi-deus e perdeu duas copas: 1974 e 1998. Luiz Felipe Scolari não cometeu o mesmo erro. Foi fiel aos seus princípios, ao seu estilo e voltou da Coréia/Japão com o penta. Agora é a vez de Parreira mostrar que tipo de técnico será nessa sua nova fase na seleção. Tomara que ele seja o mesmo do ano passado, caso contrário o torcedor terá de ter uma paciência de Jó para acompanhar os jogos válidos pelas eliminatórias.
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quinta-feira, janeiro 09, 2003
Uma de minhas matérias que fez mais sucesso em 2002 foi a entrevista que eu fiz com Roberto Maia, ex-diretor da Rádio Brasil 2000 FM (SP). Além de ser publicada originalmente no e-zine Ruídos (que um dia será atualizado, só não sei quando), ela também consta de um site dedicado a memória do rádio, o Radiohistoria. Agora, para minha surpresa e satisfação, o papo também consta da seção de Escritos Radiofônicos do portal Rádio Base.
É isso aí, nada é perecível na Internet.
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segunda-feira, janeiro 06, 2003
"Cadê as Rádios Piratas?", pergunta meu amigo Gilberto Custódio Jr. na seção News do zine Esquizofrenia. Essa é uma curiosidade que eu também tenho. São Paulo está infestada por centenas de emissoras clandestinas, mas o perfil de 99,99% delas que está no ar é de dar pena. Algumas delas estão na mão de grupos religiosos, outras na mão de pessoas que querem ganhar um troco fácil vendendo anúncios e espaço de programação, mas sem se importar com a qualidade do conteúdo, copiando o modelo das emissoras de sucesso. Rádios como a Onze são cada vez mais raras.
O dial paulistano está sobrecarregado a cada dia que passa. Um dos motivos é a explosão das rádios clandestinas das quais eu falei. Outro, é o fenômeno das "rádios que andam", revelado pela jornalista Laura Matos, na Folha de S. Paulo. São emissoras cuja concessão pertence a cidades próxmas a de São Paulo, mas que, devido a um tipo de artifício jurídico, acabam vindo operar a partir daqui mesmo, de olho nas verbas do mercado publictário. Um exemplo é a veneranda Kiss FM, dedicada ao "classic rock". Oficialmente, ela é de Arujá, mas sua sede está localizada na Av. Paulista. Quem perde são os arujaenses Eles ficaram sem rádio que atenda aos seus interesses.
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quinta-feira, janeiro 02, 2003
Dia de preguiça, resolvi juntar todos os textos que eu escrevi aqui para o Onzenet tratando sobre a Rádio Onze. Quem acompanha o blog sabe que nos seus primeiros dias de vida me dediquei muito a fazer algumas considerações sobre minha passagem por lá. É claro que se trata de uma visão bem particular daquilo que aconteceu entre 1995 e 1998. Uma coisa eu tenho sempre dito: a história da Onze precisa ser contada por mais e mais pessoas que não sejam eu. É uma emissora que tem uma importância enorme no movimento de rádios livres até por ser uma das poucas iniciativas de univeristários.
Os textos estão aqui. Usei o nome de Diário de Bordo para essa complicação. Foi mais porque eu usei a estrutura do blog que qualquer outra coisa. Não esperem nada do tipo: "...hoje eu acordei e fui para a rádio...", mas é aquela velha mistura de fatos, memória e opinião.
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quarta-feira, janeiro 01, 2003
Se eu estiver errado que me corrijam, mas acho que nunca um presidente da República esteve tão exposto como Lula durante o trajeto percorrido da Granja do Torto até o Congresso Nacional. Andando num Rolls Royce conversível, ele se transformou num alvo fácil de atiradores de ovos, para dizer o mínimo. Está certo que trata-se de uma festa popular, afinal foi um presidente eleito em eleições diretas, mas alguns cuidados teriam que ser tomados. Um popular chegou a invadir o automóvel que levava Lula e seu vice-presidente para abraça-lo e quase o derrubou. Foi um inicidente sem maiores consquencias, ainda bem, mas que evidenciou o erro de estratégia.
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segunda-feira, dezembro 30, 2002
Uma coisa bacana de ser notar é que cada vez mais jornalistas vão aderindo a ferrementa blog. E outra coisa mais bacana ainda de se notar é que mais e mais jornalistas bacanas estão entrando na onda. O caso mais recente é de Alex Antunes, que resolveu mostrar neste dezembro o seu dedo do meio, compilando alguns textos escritos para revistas e zines, além de outros quase inéditos. Um exemplo dessa mistura é "Quem tem medo da MPB? 1969-2002, ou 33 anos entre a magia & o truque", uma das analíses mais sensatas sobre a relação do rock brasileiro pós-1982 com a "tal música popular brasileira". Outro texto imperdível é "Meu Amigo; Joe Strummer", mas sobre ele não vou entregar seu conteúdo. Cada um que trate de ler e entender o porquê. Mas não é só de música que vive o blog de Alex. Há ainda a descoberta de uma nova tribo urbana: os "Fofos".
Alex Antunes participou da primeira equipe de jornalistas que lançou a revista Bizz na segunda metade da década de 80. Além disso, é músico e já escreveu letras clássicas como "Atropelamento e Fuga", gravado originalmente por Akira S. & As Garotas que Erraram, mas que viria a ser um hit com Scowa e a Máfia. Lançou recentemente um romance pela Editora Conrad, chamado "A Estratégia de Lilith". Porém, seu ganha-pão é mesmo o jornalismo.
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sexta-feira, dezembro 27, 2002
O fim das transmissões do programa Garagem, que ia ao ar pela Rádio Brasil 2000 FM (SP), talvez tenha sido um dos acontecimentos do ano no meio rádio. Para saber um pouco mais dessa história, o zine Esquizofrenia (representado por este que vos escreve e Gilberto Custódio Jr, seu editor) foi procurar Paulo Cesar Martin, o Paulão. O resultado foi a entrevista que pode ser conferida a seguir: http://www.esquizofreniazine.hpg.ig.com.br/paulao.htm
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quinta-feira, dezembro 26, 2002
Ainda na esteria das boas notícias, outra delas é a volta do Trabalho Sujo, desta vez na Internet. Para quem não conhece, era uma seção dominical sobre música que ocupava duas páginas do jornal campineiro Diário do Povo. Pilotada pelo jornalista Alexandre Matias, um dos méritos do TS era o de colocar lado-a-lado artistas (e lançamentos) tanto do mainstream como do underground, sem qualquer tipo de distinção. Era como se estivesse querendo dizer ao leitor algo do tipo: "as opções estão aí; te vira!", naquilo que hoje está muito em voga, a tal mensagem subliminar. Outro diferencial eram os textos de Matias. Conscientemente ou não, ele teve a manha de trazer para o jornalismo musical a linguagem ensaística vista nos cadernos culturais mais, digamos, "cabeça", como o antigo Folhetim (do final dos anos 80) e do atual Mais!, ambos da Folha de S. Paulo, e do Idéias, do Jornal do Brasil, para citar alguns exemplos. Talvez a idéia fosse pegar bandas pop do porte de um Duran Duran e elevá-las à categoria de arte, assim como as obras dos grandes mestres da pintura e da literatura resenhadas nos respectivos cadernos. Ao fazer isso, Matias assume um risco do ponto de vista jornalistico: seus textos podem tanto trazer abordagens bacanas e interessantes ou então serem completamente entediantes. Porém, o que torna valorosos os escritos de Matias é o fato de se romper com os padrões vigentes da crítica musical brasileira e assumir riscos, coisa que muitos de seus pares não topam fazer por n motivos que merecem uma análise à parte.
Ao retomar o Trabalho Sujo, Alexandre Matias parece estar querendo reviver seu melhor momento como jornalista depois de uma passagem tumultuada como editor da revista Play, recém-extinta pela Editora Conrad. Tomara que em breve ele possa levar de volta ao jornalsimo impresso a seção que fez a cabeça de uma moçada que verdadeiramente gosta de música, não se submetendo aos caprichos do mercado.
Para conhecer um pouco mais da filosofia e da história do Trabalho Sujo, leia aqui essa entrevista que eu fiz com o Matias, em 1999, para seção de entrevistas da página da Rádio Onze.
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Boa notícia nesse período de festas: a revista Frente não acabou.
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sábado, dezembro 21, 2002
If the wild bird could speak
She'd tell of places you had been
She's been in my dreams
And she knows all the ways of the wind
Polly, come home again
Spread your wings to the wind
I felt much of the pain
As it begins
Dreams cover much time
Still they leave blind
The will to begin
I searched for you there
And now look for you from within
Polly, come home again
Spread your wings to the wind
I felt much of the pain
As it begins
A letra de música para este final de semana é Polly, mas não confundam com aquela do Nirvana. Quem a compôs foi Gene Clark, ex-integrante do The Byrds. Aliás, com a lendária banda, ele gravou os dois primeiros álbuns: Mr. Tambourine Man e Turn! Turn! Turn! Essa música é de sua carreira-solo e pode ser encontrada no álbum "Through The Morning, Through The Night ". Dizem até que Clark é melhor que Bob Dylan como letrista (sendo apontado como o Grande Poeta da América), mas não vou entrar nesse mérito. Quero usar Polly como gancho para falar de outra coisa. Se não fosse por Thomas Pappon eu não teria conhecido essa canção. Ele a regravou brilhantemente no CD "Eurosambas", de seu projeto musical chamado The Gilbertos. Thomas, conscientemente ou não, prestou um belo serviço a muita gente, pegando uma música de 1969, escrita por um compositor bacana, e trazendo para os dias de hoje. Essa seria a função primordial dos "covers", mas esse espírito se perdeu, principalmente na MPB. Um exemplo vivo é o de Gal Costa, que regravou em seu mais recente CD uma música dos Titãs lançada no ano passado: "Epitáfio" (aquela mesma do "devia ter amado mais.."). Das duas, uma: é preguiça de procurar ou então é aquela velha síndrome de apostar naquilo que já é conhecido, para não "assutar" o público.
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quinta-feira, dezembro 19, 2002
Alô você que me disse não estar acessando minha estação na Usina do Som. Descobri o que houve. Para ouvir as estações pessoais e desfrutar de outros serviços do site, as pessoas devem se cadastrar antes. Fazendo isso, você conseguirá ouvir a minha seleção pessoal, chamada de rádio Onzenet.
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O Folhateen e a Folha On Line querem saber quais os melhores CDs nacionais e internacionais de 2002. O voto pode ser feito no próprio site, e o resultado sai no dia 13 de janeiro, no suplemento da Folha de S. Paulo. Entre os lançamentos nacionais, eu votei em "Amanhã é Tarde", do Fellini. Ainda não escolhi o melhor disco internacional. Se duvidar, acho que nem voto, mas aceito sugestões.
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Quer conhecer o blog mais fru-fru da Internet? Então, vá ao Demi's Blog
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