sábado, dezembro 07, 2002

Fui assaltado duas vezes na vida. A primeira foi em 1990. Eu estava na esquina da Al. Barão de Limeira com a Duque de Caxias (aqui em São Paulo) esperando o sinal fechar, isso lá pelas onze da noite. Dois adolescentes bem vestidos, diga-se de passagem, me surpreenderam e anunciaram o assalto. É claro que eles foram direto na minha carteira, mas não deram sorte, pois naquele dia eu estava sem dinheiro. Bem, alguma coisa a dupla tinha que levar, então fiquei sem um guarda-chuva velho e uma jaqueta que tinha acabado de comprar e ainda estava pagando num crediário. No mais, não sofri nenhuma violência físice e ficou apenas o susto.
A segunda vez aconteceu nesse sábado. Eu estava na Praça Princesa Isabel esperando o ônibus que me levaria para casa após mais um dia normal de trabalho. Chovia naquele momento e decidi me proteger ficando embaixo de uma marquise do outro lado da rua, bem próximo. Veio do meu lado um garoto com um carrinho no qual ele vendia picolés com o mesmo intuito. Pouco depois, chega mais uma pessoa. Era um rapaz de bermuda, camiseta regata e com um dos pés de chinelo na mão. Ele perguntou se eu tinha uma tesoura. Respondi que não. Então ele veio com aquela velha história: queria saber se eu tinha cinquenta centavos para dar a ele. Minha resposta foi negativa. O rapaz pediu para ver minha carteira e a partir daí, deu para perceber o que ele realmente queria. O garoto do carrinho de picolés, percebendo o que estava acontecendo, deu no pé. Coube a mim a tarefa de me virar com o cara que primeiro queria uma tesoura e depois cinquenta centavos. Agora já posso chama-lo de marginal. Na sequencia ele colocou a mão no meu bolso querendo a carteira. Esbocei uma pequena reação, pois percebi que ele não estava armado. Tentei impedir que ele levasse o que desejava, mas minha calça acabou rasgando no bolso e facilitou a sua intenção. Houve um esboço de perseguição. Corri o mais que pude, mas sabe quando uma coisa te faz parar? Desisti. Sabe lá Deus o que poderia acontecer se eu conseguisse alcançar o ladrão.
Levei um pequeno prejuízo, é verdade. Fiquei sem meu crachá de acesso da empresa onde trabalho atualmente. Meu cartão-lanche já era também. Quanto aos documentos, nem me preocupo, pois sempre andei com cópias autenticadas deles (alías, recomendo que todos façam o mesmo; nunca se sabe o que pode acontecer). Tinha algum dinheiro e uns passes de ônibus, mas isso não significa muito. O que mais me indgina nesse caso é a omissão das pessoas. No ponto do ônibus, que estava bem próximo de onde tudo aconteceu, tinha um casal. Eles viram o que se passou e nenhum deles ao menos gritou um básico: "pega ladrão". O que dizer então do garoto do carrinho de sorvetes?
Perto de onde fica esse ponto de ônibus tem uma igreja Batista e com alguns seguranças que ficam olhando os veículos dos fiéis que vão assitir aos cultos. Custava alguém ter avisado? Depois de que eu desisti da perseguição, voltei lá para o ponto e esculachei o casal. Desejei de coração que eles nunca fossem assaltados ao esperar o ônibus e agradeci pela omissão. Peguei mais pesado com o vendedor de sorvetes. Na hora da raiva disse que ele era comparsa do sujeito que tinha me roubado, mas creio que não tinha nada a ver com a história. Deveria ser um trabalhdor como eu.
Enfim, é nessas horas que a gente percebe a solidariedade humana (e principalmente, a falta da mesma). Depois do esculacho o casal foi embora. Os vi fazendo uma ligação num orelhão e tomaram o rumo da Av. Rio Branco. Não dirigiram uma palavra a mim, nem mesmo quando dei a bronca neles. Sei lá, que dissessem que eu estava errado, que eu era um zé mané, que eu era um louco ou ao menos para dizer um "isso acontece". Em vez disso, o silêncio. Na primeira vez que eu fui assaltado, há doze anos, aconteceu algo parecido. Voltei para o lugar onde eu trabalhava na ocasião e fui pedir ajuda a um dos seguranças. O infeliz disse que não podia fazer nada. Chamei uma viatura da polícia e rondamos a região para ver se eu achava os meliantes adolescentes, mas sem sucesso, devo ter perdido tempo procurando ajuda no meu local de trabalho. Dessa vez, não fiz nada. Apenas fiquei curtindo a minha indgnação até que o ônibus chegasse. A cobradora e o motorista foram legais e me deixaram entrar sem pagar.
Acho que o problema todo nem é a violência urbana, mas é o fato de que você está sozinho lutando contra ela. Nenhuma viva alma procura te ajudar numa situação de risco, mesmo que numa distância segura. É a lei do cada um por si. É aquela sensação: "ainda bem que não foi comigo". Quando eu era moleque, minha avó me levava para brincar na Praça Princesa Isabel. É triste ver que hoje não se pode esperar um misero ónibus com tranquilidade. Se eu fosse o Afanásio Jazadi começaria aqui com um discurso anti-governo estadual, anti-polícia, mas quem tem um pouco mais de inteligência sabe que essas instituições fazem o que podem e não são apenas elas as responsáveis pela segurança do cidadão. O buraco é muito mais embaixo e ele passa pela educação, pela empregabilidade, etc. O que não pode é esse estado de letargia, com as pessoas se acostumando a assitir assaltos embaixo de seu nariz como se estivessem vendo um filme na televisão. Todos falam em mudança daqui, mudança dali, mas não basta mudar apenas trocar de presidente da República e a mentalidade continuar como esta. Vamos colocar a mão na consciência, pessoal.

Quer uma dica legal de leitura para o seu final de semana (e o começo da outra também)? Já está no ar a minha participação na Coluna Vertebral, do site da Rádio Brasil 2000 FM. Para quem ainda não sabe, são vários colunistas se revezando. Nessa semana, chegou a minha vez e escrevi um texto sobre o uso do rock nos comerciais de televisão. Fiz um pequeno histórico que vai desde os comerciais dos cigarros Hollywood, na década de 80, até o recente comercial da Credicard, que usou como protagonistas a modelo Gisele Bündchen e o ator Rodrigo Santoro e a música "I'm Free", mas baseada naquela cover que o Soup Dragons fez para o original dos Stones. Na verdade, não foi usado o fonograma original (e no texto eu explico isso com mais detalhes). Para quem desejar dar uma olhada, é só clicar no link da Coluna Vertebral que está aqui.

sexta-feira, dezembro 06, 2002

Luiz Inácio Lula da Silva deve divulgar nos próximos dias sua equipe de trabalho para seu mandato como presidente da República. Um nome é mais do que certo: é o do jornalista André Singer, ocupando, ao que tudo indica, o posto de porta-voz. Ele, aliás, já vem desempenhando esse papel desde a campanha eleitoral até esse período antes da posse. Será uma grande surpresa se seu nome for preterido.
Singer é professor de ciências sociais da USP. Foi editor de política e secretário de redação da Folha de S. Paulo. Depois de deixar o jornal, ocupou o posto de diretor de relações internacionais do PT. Dirigiu a revista Superinteressante, na Abril, até voltar para a Folha, como repórter especial. Saiu novamente para trabalhar na campanha de Lula.
Poucos sabem, mas foi André Singer quem revelou ao grande público os plágios praticados por Pepe Escobar em seus textos. No começo da década de 80, ainda na Folha, Pepe publicou com sua assinatura uma série de artigos sobre os Beatles, mas copiando trechos inteiros de parágrafos de matérias que já haviam saido na imprensa européia, sem dar o crédito devido. Singer, um estudioso sobre o trabalho da banda e fã, desconfiou das semelhanças dos textos, descobriu o plágio que tratou de denunciar nas páginas do jornal. A partir de então, se seguiu uma troca de artigos com Pepe Escobar tentando se defender, tarefa na qual não obteve sucesso. Esse incidente, porém, não trouxe maiores prejuízos para a carreira de Escobar, que até hoje frequenta as páginas dos grandes veículos de nossa imprensa, trocando a crítica musical pela política internacional.

quinta-feira, dezembro 05, 2002

Estava para fazer esse registro há algum tempo: o Onzenet foi escolhido como Blog da Semana (entre 26/11 a 02/12) pelo diretório Blog-se. Você que é blogueiro ainda não cadastrou o seu?

Há algum tempo eu anunciei aqui que a MTV iria exibir no Lado B uma entrevista com o Fellini. Fiquei sabendo bem depois que o programa acabou não indo ao ar nos dias previamente marcados. O Rodrigo Lariú, dono do selo mmrecords, anunciou as novas datas. Será neste domingo, 08/12, a partir das 20H30, com uma reprise de sexta para sábado, a 01H30. Se dessa vez o programa não for exibido, a culpa não é minha nem de Lariú. Reclamações diretamente com a MTV.
O esquema é simples: uma entrevista com Thomas Pappon e Cadão Volpato. De bônus, eles tocarão algumas músicas. É uma oportunidade imperdível, uma vez que o Fellini nunca foi uma banda de aparecer muito na tv. São poucos os registros em vídeo. Um deles é um clip de "Burros e Oceanos", do "Fellini Só Vive Duas Vezes", cuja realização foi da Olhar Eletrônico, a mesma produtora independente que revelou para a tv e o cinema nomes como Marcelo Tas, Sandra Annemberg e Fernando Meirelles. O problema é que ninguém sabe onde foi parar as suas cópias. Sobre esse clip, o Cadão me contou um "causo" interessante e curioso naquela entrevista histórica que eu publiquei na página da Rádio Onze e pode ser lida aqui. Esse depoimento de Cadão já tem uns seis anos e foi ponto de partida para um especial que eu produzi sobra o Fellini para a emissora. Eu enchi uma fita cassete de 90 minutos só com Cadão falando sobre a história do grupo. Como ficou muita coisa de fora, decidi editar essa versão em texto. Se ensta entrevista não contribuiu um pouco para a volta do Fellini, acho que ela foi a principal responsável por trazer o Fellini de volta à mídia, afinal, eles estavam praticamente esquecidos. O bacana é que até hoje recebo mails com elogios de pessoas que eram fãs de primeira hora nos anos 80. E sei de muito jornalista que usou várias das declarações de Cadão como base para outras entrevistas posteriores. Alguns, pelo menos assumiram que fizeram isso. Nem preciso falar dos outros...

terça-feira, dezembro 03, 2002

Revisei o post aí de baixo e fiz alguns pequenos consertos.

Um dos grandes mistérios da humanidade aconteceu no dia 30 de junho de 1998. A data marcava a decisão da Copa do Mundo disputada naquele ano, na França. O protagonista é o jogador Ronaldo. Horas antes da partida entre Brasil x França, ele sofreu um problema de saúde. Passou mal no quarto da concentração, assustando a todos os seus colegas de seleção. Existe muita especulação sobre a relação desse acontecimento com o resultado final do jogo, mas o fato é que perdemos por 3 a 0 e acabmos com o vice-campeonato. Desde então, um enorme ponto de interrogação passou a fazer parte da história de nosso futebol. O que teria acontecido a Ronaldo? A versão oficial fala em convulsão, mas ninguém sabe explicar o que teria a ocasionado. Uma nova biografia sobre Ronaldo traz ao público uma nova versão. Segundo o escritor Jorge Caldeira, conhecido no meio jornalistico como Cafu, e autor do recém-lançado livro "Ronaldo - Glória e Drama do Futebol Globalizado", o jogador teve um disturbio típico do sono, a parassonia. Ronaldo, na verdade, teria pego no sono e apresentou caracteristicas tais como se mexer muito, abrir os olhos, falar coisas desconexas e escutar sons. Caldeira chegou a essa conclusão a partir da informação de que o jogador apresentava sinais de sonambulismo na infância. Para chegar a essa conclusão, ele conversou com vários especialistas. Não é uma versão absurda, porém é apenas mais uma do que realmente aconteceu naquele dia. Muitas outras versões surgiram desde então. Já se disse e escreveu que Ronaldo teve uma convulsão típica de jogadores de video-game, um de seus passatempos preferidos na concentração. Outra, dá conta de que seu problema neurológico teve a ver com as injeções de morfina aplicadas em seu joelho para diminuir os efeitos de uma dor crônica. O médico Lídio Toledo, integrante da comissão técnica, que o atendeu naquele dia, atribuiu a convulsão ao estresse. O mais curioso é que nenhuma das versões converge e isso dá margem a muito mais duvidas e especulações.
Não se trata de questionar aqui o trabalho de Caldeira. Sua informação é um importante dado a mais acerca do problema de saúde que vitmou Ronaldo. E o livro não se detém apenas nesse assunto. Longe de ser uma biografia do tipo "oba-oba", a obra ainda analisa os bastidores do futebol brasileiro e seus problemas crônicos.
"Ronaldo - Glória e Drama do Futebol Globalizado" entra para a lista de livros bacanas lançados nesse final de ano. Custa R$ 34, um pouco abaixo da média dos outros já citados aqui nesse blog, ainda assim pouco convidativo para pessoas que curtem o hábito da leitura, mas tem que concentrar seu orçamento para outras prioridades. Como trata-se de um lançamento do jornal esportivo LANCE!, há uma esperança de que num futuro próximo o livro possa entrar em alguma promoção.

sábado, novembro 30, 2002

A quarta edição da revista Zero já está nas bancas. A capa é com o Sepultura e esse número mantém o mesmo nível dos anteriores. Só vejo um pequeno problema no que diz respeito aos personagens escolhidos para o entrevistão. Os editores poderiam escolher personalidades menos óbvias para participar da seção. Nesse mês, o entrevistado é Lobão, que solta o verbo contra tudo e todos. Porem, ele é o tipo do cara que atualmente concede declarações previsiveis demais. Antes de ler o papo, já imaginava que iria sobrar algo para Caetano Veloso e até mesmo para Herbert Vianna. Não deu outra. Pena que não lhe perguntaram (ou se fizeram isso, na hora da edição final não entrou) sobre seu envolvimento com o movimento de rádios livres no Brasil. Seria interessante atualizar a opinião de Lobão a respeito desse assunto, três anos após ter abraçado a causa (embora muita gente o acuse de oportunismo, mas sobre isso eu falo melhor em outra ocasião).
A Zero já tinha corrido esse mesmo risco ao procurar Renato Rocha, ex-baixista da Legião Urbana. Tava meio na cara que ele iria detonar seus ex-companheiros de banda, coisa que tem feito sempre que ligam um gravador à sua frente. Com Lobão, esse efeito de previsibilidade se repetiu. Tomara que não aconteça nas próximas edições.

Oba, é bom abrir o seu jornal on-line preferido e ler boas notícias. A volta do Metrô, uma banda legal dos anos 80, é certamente é a melhor desse fim de ano. Quem é trintão deve ter curtido muito a voz de Virginie, uma franco-brasileira afinadissima. Os músicos não ficavam atrás e dessa combinação tivemos uma dos poucos conjuntos a fazer uma mistureba eletrônica bem bacana, com ecos de pop e rock progressivo. Se não estou enganado, eles lançaram apenas um disco, mas com pelo menos uns cinco ou seis hits: "Olhar", "Beat Acelerado", "Cenas Obscenas", "Johnny Love", "Sândalo de Dândi", "Ti-Ti-Ti" e mais uma outra que me foge da memória. Para o público, tudo corria as mil maravilhas, mas internamente as coisas não andavam bem. Todos na banda não estavam satisfeitos em produzir um "pop-juvenil", queriam fazer algo, digamos mais "sério". Quem tem alguma dúvida disso, é só procurar ouvir o álbum chamado "Déjá-vu", que lançaram após quase 15 anos, que pega mais pelo lado da bossa-nova e da MPB.
É uma pena que eles reneguem um pouco o passado. Apesar de fazerem uma tipo de música voltado para o consumo popular, o trabalho tinha uma alta qualidade. É uma velha distorção que existe entre muita gente entre público, artistas e imprensa: a de achar que pop é pecado, o que não é verdade. É possível fazer canções de consumo popular com qualidade.
"Déjá-vu" traz regravações de "Beat Acelerado", "Sândalo de Dândi" e "Johnny Love". Pedro Alexandre Sanches, crítico da Folha de S. Paulo diz que são versões definitivas. Sei não. Acho que aquele primeiro álbum lá de quinze anos atrás deveria ser relançado para o confronto direto. Mas é bom saber que o Metrô voltou a circular. Sejam bem-vindos de volta.

quarta-feira, novembro 27, 2002

Ainda sobre o papo dos livros (que rendeu bastante nos comentários), lembrei de um fato curioso. A jornalista Érika Palomino lançou há alguns anos um livro-reportagem sobre a cena clubber brasileira. Seu título é "Babado Forte". Editado pela Mandarin, em fevereiro de 2002, seu preço na época foi fixado em R$ 29. Outro dia, passeando pelo centro de São Paulo, achei alguns de seus exemplares numa livraria (reparem nesse detalhe, não é sebo) por uma pechincha: menos de R$ 5,00, só não lembro exatamente se por R$ 4,50 ou R$ 4,90. Alguns vão pensar maldosamente: "é encalhe, só pode ser". Sim, mas o que importa no caso é que o livro tá saindo por um preço muito mais em conta do que há quase dois anos de seu lançamento. É uma prova de que dá para vender livro por um preço acessível ao leitor. Como bem escreveu Bruno Privatti: "tem algo estranho aí..."

segunda-feira, novembro 25, 2002

Uau, quantos livros bacanas estão sendo lançados neste fim de ano. Tem para todos os gostos. Quem gosta de música pode escolher entre Dias de Lua, uma radiografia do rock brasileiro feita pelo jornalista Ricardo Alexandre e a recém-lançada biografia dos Titãs, que já começa com uma polêmica. Na capa, foi colocada uma foto que traz apenas os atuais integrantes da banda, deixando de lado Arnaldo Antunes, Marcelo Frommer e Nando Reis, embora estres sejam muitos citados no texto. O problema é que a história do Titãs não se resume apenas aos cinco integrantes que permaneceram. Picuinhas à parte, o livro é um belo presente aos fãs. Na área futebolistica, é possível destacar o relançamento da história do Corinthians escrita por Juca Kfouri, com informações atualizadas dos últimos campeonatos conquistados pela equipe. E dois livros fundamentais para o entendimento de fatos recentes da História do Brasil escritos por Élio Gaspari também estão sendo lançados: A Ditadura Escancarada e A Ditadura Envergonhada. São livros, enfim, cuja leitura promete de tudo um pouco: entretenimento, informação e reflexão. O grande empecilho é o preço médio de cada um. Todos estão custando por volta de R$ 40, excetuando o livro de Kfouri que vale o dobro, até porque é uma edição de luxo. A soma total dos livros citados chega na casa dos R$ 240. É quase um salário mínimo. Ao constatar isso, surge aquela velha questão: por que as edições de bolso não vingaram aqui? Seria uma opção muito mais em conta para o bolso do pobre consumidor que deseja investir no seu enriquecimento cultural. Posso parecer um tanto ingênuo, mas creio que o alto preço é o que impede o brasileiro de ler mais e melhor.

domingo, novembro 24, 2002

Como já está virando rotina, uma letra de música para esse domingão:

I turn my back to the wind
To catch my breath,
Before I start off again
Driven on,
Without a moment to spend
To pass an evening
With a drink and a friend

I let my skin get too thin
I'd like to pause,
No matter what I pretend
Like some pilgrim --
Who learns to transcend --
Learns to live
As if each step was the end

Time stand still --
I'm not looking back
But I want to look around me now
See more of the people
And the places that surround me now

Freeze this moment
A little bit longer
Make each sensation
A little bit stronger
Experience slips away...

I turn my face to the sun
Close my eyes,
Let my defences down --
All those wounds
That I can't get unwound

I let my past go too fast
No time to pause --
If I could slow it all down
Like some captain,
Whose ship runs aground --
I can wait until the tide
Comes around

Make each impression
A little bit stronger
Freeze this motion
A little bit longer
The innocence slips away...

Summer's going fast --
Nights growing colder
Children growing up --
Old friends growing older
Experience slips away...

Adivinharam qual é? Não? Tá, vou dizer, é Time Stand Still, do Rush. Em algumas rodas de criticos musicais não pega muito bem dizer que se gosta dessa banda. Não entendo o porquê de tanta má vontade. De todas as bandas que tem influências do rock progressivo, o Rush talvez seja uma das mais palatáveis. Talvez o fato de eles colocarem um pé no pop, principalmente nos últimos anos, tenha ajudado a deixar de lado os excessos virtuositicos.
Essa música é de 1987 e tocou muito nas nossas rádios de rock à época de seu lançamento (não vou lembrar de qual álbum que é). Quinze anos depois, até agora não ouvi nenhuma faixa do novo CD que eles vieram promover por aqui. Engraçado isso, não?
A letra é bacana, fala de parar o tempo para vivermos um pouco mais os pequenos prazeres da vida e aproveitar o presente. Time Stand Still me remete a bons momentos da minha adolescência. E isso, nenhum crítico musical ou nenhuma tribo (como os Indies) podem roubar.

sábado, novembro 23, 2002

Boa notícia que pinta no sistema de comentários merece ser reproduzida aqui:

Caro Rodney,
Eu tenho uma boa notícia. Conquistei minha independência virtual! Ou seja lá o que for... Zé Pequeno manda avisar que Letradas.hpg é o caralho! Agora é www.letradas.com.br
Esperamos sua visita!
Até mais.

Ader Gotardo

quinta-feira, novembro 21, 2002

Depois de um pequenissimo recesso, estou de volta para atualizar o blog Onzenet.
A minha mamata de usar o serviço de banda larga apenas pela Telefonica terminiou e a de muita gente também. Desde a última terça, para acessar o serviço Speedy, agora é necessário digitar o endereço de e-mail e a senha num pop up que abre automaticamente ao iniciar o IE ou outro navegador qualquer. Isso foi por uma imposição dos provedores de acesso que oferecem esse tipo de serviço.
Durante muito tempo, muita gente contratou o serviço Speedy sem passar pelo provedor. Eu mesmo fiquei nessa por mais de um ano. Isso evitava o alto preço cobrado pelos UOLs, IGs e Terras da vida pelo acesso não-discado. Porém, nessa vida, tudo o que é bom dura pouco. Houve até uma tentativa de se reagir contra essa prática da assinatura casada. Um blog sobre o assunto até foi lançado na Internet, mas pelo jeito a luta foi deixada de lado, pois a úlitma atualização é de agosto. Agora, só resta aos usuários pagarem mais de 100 reais pelo acesso à banda larga. Metade desse valor vai para a Telefonica, a outra vai para os provedores de acesso. É mais uma má notícia para o bolso já quase furado do consumidor.

terça-feira, novembro 19, 2002

O Brasil continua a viver a sua sina de receber com bastante atraso shows de bandas já consagradas. A lista é extensa e talvez o nome mais emblemático é o dos Rolling Stones. Agora, o Rush aporta por aqui numa apresentação que deveria ter acontecido há uns quinze anos, aproximadamente. Porém, aquele velho deitado sempre sábio já dizia: antes tarde que nunca.
Mas, ao meu ver, esse não é o único senão envolvendo a apresentação da banda canadense por aqui. Mega-shows como esse atraem todo o tipo de público, desde fãs de carteirinha que são verdadeiras enciclopédias ambulantes até aqueles que "caem" nos estádios de pára-quedas, cujo conhecimento do repertório do Rush se limita apenas a duas ou três músicas como "Time Stand Still" e "Tom Saywer", isso porque ele ouve toda hora no rádio. É aí que o bicho pega, pois esse tipo de público costuma a ir em eventos como esse menos para curtir a música que qualquer outra coisa. Por exemplo, tem gente que vai para azarar as meninas, para fumar um baseado, para encher a cara de cerveja e até mesmo bater-papo. Faço até um desafio a quem vai ver o show em São Paulo: olhe para os lados no meio da apresentação e conte a quantidade de casais se beijando em pleno gramado do Morumbi. Se isso acontecer, não deixa de ser estranho, pois as músicas do Rush não são própriamente românticas.
Vale torcer para que a acustica esteja satisfatória (coisa rara), porque é um anti-climax esperar muito tempo para acompanhar uma performance como essa, enfrentar os já habituais congestionamentos do trânsito paulistano (a verdadeira Hora do Rush) e ainda não escutar nada.

Uma das versões do bom e velho Manual de Redação da Folha de S. Paulo dizia que jornal não é novela. Porém, o dia-a-dia do noticiário tem contariado essa diretriz. O que dizer do caso de Pedrinho, um bebê sequestrado há dezesseis anos e que hoje foi localizado pelos seus pais verdadeiros, num verdadeiro golde de sorte ocasionado pelo destino? Se a história se resumisse a isso, tudo bem. Teriamos um final feliz: um rapaz com duas famílias e muito amor para receber. Porém, e há sempre um porém nesse caso, um fato novo aparece a cada dia, dando contornos mais dramaticos à situação. Vilma Costa, a mãe adotiva, hoje é apontada pela polícia como a mulher que teria tomado Pedrinho de sua mãe biológica na maternidade. Pelo que eu vi no Jornal da Globo, ela teria sequestrado uma outra menina. Enfim, é uma história que nem mesmo nossa maior novelista, Janete Clair, poderia ter imaginado. Há de tudo, intrigas, mentiras, verdades, ódio entre pessoas do próprio sangue (o que poderia justificar as denúncias que partem da própria irmã de Vilma?) e, antes de mais nada, amor. Sim, apesar dos pesares, Pedrinho ama Vilma. Foi ela quem o criou nesse tempo todo e nem mesmo as acusações irão abalar os laços afetivos entre os dois. Pelo jeito, nem mesmo se for comprovada a culpa de Vilma, sua relação com Pedrinho mudará num primeiro momento. Afinal, como bem diz a sabedoria popular, mãe é aquela que cria mesmo. Os pais verdadeiros, vão ter que lutar muito não apenas para descobrir o que aconteceu naquela maternidade, mas para terem a confiança do filho. É um enredo e tanto para fazer frente a anódina "Esperança", exibida pela Globo.

segunda-feira, novembro 18, 2002

Blogs novos na lista aí do lado, o que me deixa cada vez mais contente. Nesta atualização, coloquei três de uma vez só: o lírico e sensível A Ostra e o Vento, da Ana Lira, uma das responsáveis pelo Rabisco, o blog da minha amiguinha Ket, o Bombastic Girl, como relato quase diário de sua vida como estudante intercambista na Cidade do México e o blog recém-nascido Rabiscos, que como seu próprio dono define, conta "A aventuras de um jornalista recém-formado, mas com dois anos de experiência, em busca de uma colocação profissional, neste mercado hostil onde o Q.I. [Quem Indica] é mais importante que qualquer capacidade ou experiência".

domingo, novembro 17, 2002

Enfim, na bola o Palmeiras caiu para a segunda divisão do campeonato brasileiro. Falam em virada de mesa ou não, mas isso só vai ser definido mesmo no ano que vem. Particularmente, acho que o Verdão deve voltar para a primeira divisão jogando futebol, nada de ragsar o regulamento. Resta saber se a minha humilde vontade será respeitada, assim como o bom-senso.
Há males que vem para bem, já dizia aquele velho deitado. Quem sabe esse fracasso da equipe possa gerar reflexos na forma como se adminstra o clube. O atual presidente, o senhor Mustafá Contursi provou que só é adminstrador na época das vacas gordas, quando a multinacional Parmalat patrocinou o Palmeiras. Contursi não se preparou para o período das vacas magras e os reflexos estão aí. Nada mais justo que ele dê espaço para outras lideranças políticas.
O Palmeiras grande das décadas de 70 e 90 é apenas uma lembrança na memória dos torcedores saudosos. A situação atual é de dar pena. O clube não forma jogadores, tem de busca-los no mercado e traz alguns de qualidade duvidosa. Diferente do que ocorre em clubes como São Paulo, Corinthians e Santos, que, coincidência ou não, estão na segunda fase do Brasileirão. Dizem que as condições do Centro de Treinamento não são satisfatórias. Essas e outras coisas só iriam dar no que deu. Era a crônica de uma tragédia anunciada.

Mais uma letra de música para compensar a falta de postagens por aqui. Essa veio da pena do genial Bob Dylan.

Well, the pressure's down, the boss ain't here,
He gone North, he ain't around,
They say that vanity got the best of him
But he sure left here after sundown.
By the way, that's a cute hat,
And that smile's so hard to resist
But what's a sweetheart like you doin' in a dump like this?

You know, I once knew a woman who looked like you,
She wanted a whole man, not just a half,
She used to call me sweet daddy when I was only a child,
You kind of remind me of her when you laugh.
In order to deal in this game, got to make the queen disappear,
It's done with a flick of the wrist.
What's a sweetheart like you doin' in a dump like this?

You know, a woman like you should be at home,
That's where you belong,
Watching out for someone who loves you true
Who would never do you wrong.
Just how much abuse will you be able to take?
Well, there's no way to tell by that first kiss.
What's a sweetheart like you doin' in a dump like this?

You know you can make a name for yourself,
You can hear them tires squeal,
You can be known as the most beautiful woman
Who ever crawled across cut glass to make a deal.

You know, news of you has come down the line
Even before ya came in the door.
They say in your father's house, there's many mansions
Each one of them got a fireproof floor.
Snap out of it, baby, people are jealous of you,
They smile to your face, but behind your back they hiss.
What's a sweetheart like you doin' in a dump like this?

Got to be an important person to be in here, honey,
Got to have done some evil deed,
Got to have your own harem when you come in the door,
Got to play your harp until your lips bleed.

They say that patriotism is the last refuge
To which a scoundrel clings.
Steal a little and they throw you in jail,
Steal a lot and they make you king.
There's only one step down from here, baby,
It's called the land of permanent bliss.
What's a sweetheart like you doin' in a dump like this?

Essa música se chama Sweetheart Like You e está no álbum Infidels, lançado em 1983. A conheci através do clipe que passava no Realce, programa exibido pela Gazeta. O Capivara, um de seus apresentadores era um boneco falante, um grande barato. Seu parceiro era o hoje produtor musical Mister Sam. Uma época bem bacana, sem dúvida alguma.
Sweetheart Like You nem está entre os grandes clássicos de Dylan, mas é um musicão e tanto.

sábado, novembro 16, 2002

Finalmente o blog Onzenet entrou na lista de links mais populares do Toplinks.

 
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