quinta-feira, novembro 22, 2007

É gol, que felicidade...

Uma das artes que mais se aproxima do futebol aqui no Brasil é de fato a música, especialmente em época de Copa do Mundo. Alguns dos temas, no entanto, sobre o assunto são esquecidos com o fim da competição. Quem lembra de "70 neles", gravado por Gal Costa como trilha para uma campanha de uma famosa marca de cigarros? Por outro lado, outras canções permanecem eternas, graças a uma mãozinha do rádio esportivo. É o caso de "Replay", do Trio Esperança. Gravada na década de 70, ela atravessou o tempo pelo fato de seu refrão ir ao ar sempre que sai um gol nas transmissôes esportivas da Rádio Jovem Pan (SP).

Aliás, a influência da Jovem Pan nas transmissções esportivas é um caso a parte. Vamos recuar um pouco no tempo. A rádio, ainda com o nome de Panamericana, vivia um período de decadência. Era conhecida como a "emissora dos esportes", mas vinha perdendo público. No ano de 1966, decidiu-se por uma reformulação geral, pegando como gancho o sucesso de um programa de televisão de sua então "co-irmã" TV Record chamado Jovem Guarda. A atração era apresentada por um certo Roberto Carlos. A rádio mudou de nome e adotou o Jovem Pan, que permanece até hoje.

A Pan ganhou uma nova roupagem, uma linguagem mais arejada e isso se estendeu para as irradiações das partidas de futebol. Optou-se por adotar um tom bem humorado e a introdução de vinhetas mais descontraídas, muitas delas tiradas de canções de sucesso. Foi nesse ambiente que um dos monstros da narração esportiva nacional começou a se desenvolver: Osmar Santos.

Dentro desse espírito de inovação, algumas novidades se introduziram com o passar dos anos. É aí que surge "Replay", lançada originalmente em 1974. Escolheram o refrão "É gol/que felicidade/é gol/o meu time é alegria da cidade" para entrar sempre depois que saísse um gol, como trilha de fundo para que o locutor da ocasião soltasse a voz. E pegou. A plástica das transmissões da Pan mudou bastante nesses últmos anos, mas essa caracterísrica continua intacta.

Um dado curioso é que a música em sua íntegra fala de um gol do Flamengo (feito de falta, por Paulo Cesar), mas justamente seu trecho mais representativo se transformou num hino de todas as torcidas.

"Replay" é um sambinha diferente, gostoso, bem marcado por um orgão. Outro ponto a favor é o excelente vocal do Trio Esperança. Apesar de ser adotado pelo rádio, a estrutura da música emula as transmissões esportivas da televisão. "E atenção que vamos repetir o gol", diz.

Quem melhor usou essa música em suas narrações foi o locutor José Silvério, em sua época de Jovem Pan. Era sensacional o 1-2 que ele fazia, esperando o primeiro trecho da vinheta para dizer o nome do jogador que havia feito o gol e arrematar com um "e que golaço", caso fosse o caso. Silvério foi um dos responsáveis para que "Replay" entrasse para a memória afetiva da torcida brasileira.

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Para exemplificar o que foi escrito acima, nada melhor que ouvir um gol narrado por José Silvério em sua época de Jovem Pan.

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Ouça agora Replay, com o Trio Esperança.

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Publicado no Laboratório Pop e no Rádio Base

quarta-feira, novembro 21, 2007

4 Non Blondes - além de What's up


O colega de JB, Braulio Lorentz, fez o questionamento aí do lado (leia antes de prosseguir, por gentileza) em meio a uma resenha sobre os lançamentos recentes de Vanessa Carlton e Alicia Keys. Saiu na edição desta terça-feira. Logo de cara, lembrei de duas outras músicas do 4 Non Blondes: Spaceman e Superfly, cujos vídeos estão disponíveis abaixo.

Depois de desfazer a banda, no metade da década passada, Linda Perry ainda lançou dois CDs solo: In Flight (1996) e After Hours (1999). Depois dessa experiência, nossa heroína decidiu passar para o outro lado do balcão e virou produtora. Ela foi parceira de nomes como Christina Aguilera, Pink, James Blunt, Kelly Osbourne, Gwen Stefani, Avril Lavine, Vanessa Carlton e, agora, Alicia Keys (ufa!).

Não há sombra de dúvida: Perry é a atual bam-bam-bam do pedaço. Mal comparando, ela representaria hoje para o pop o que o Liminha (agora de volta aos Mutantes) representou para boa parte do rock brasileiro nos anos 80.

Voltando especificamente ao 4 Non Blondes, a música Spaceman chegou a 36º posição na parada da Billboard à época de seu lançamento. Não chega a ser um desempenho brilhante. No entanto, tanto ela como Superfly tocaram até encher a paciência nas rádios brasileiras, isso sem falar nas constantes exibições dos respectivos vídeos na MTV daqui, quando a emissora ainda honrava o M de sua sigla.

Se tivessemos tradição em singles (e uma consequente parada de singles) ou mesmo se existisse uma parada oficial e séria relacionada a execuções em rádio, certamente essas canções teriam um desempenho bem expressivo.






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Publicado no Laboratório Pop

segunda-feira, novembro 19, 2007

Álbum de figurinhas


Desde que eu voltei a instalar o contador de vistas, tenho percebido que uma das portas de entrada para este blog é (via Google Images) a foto que traz o duo Stereo Total ao lado de uma dupla de amigos: Daia Leide e Fabio Carbone, este último que desistiu de vez de seu empreendimento na web, o Ruídos Inc., e agora se dedica ao turismo internacional.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Surrealismo de resultados

Já perdi a conta, mas essa deve ser a quarta ou quinta entrevista que eu faço com Cadão Volpato. Sei que ela irá dar mais munição ao pessoal que gosta de pegar no meu pé pelo fato de sempre escrever sobre o Fellini ou sobre coisas relacionadas aos seus integrantes. Mas que culpa tenho se o que eles fazem acaba virando notícia? Desta vez, Cadão ganha espaço em dobro por lançar ao mesmo tempo um álbum, que marca a sua estréia solo, depois de anos trabalhando em grupo, e mais um livro de contos.

O CD se chama Tudo o Que Eu Quero Dizer Tem Que Ser no Ouvido (Outros Discos) e não deixa de ser uma surpresa. Primeiro, pelo fato de Cadão trabalhar sozinho, desde a composição até a execução das canções. Depois, porque não se esperava nada mais dele em termos musicais depois de decretar que “a música acabou”, logo após a apresentação do Fellini no Tim Festival de 2003.

E o livro é Questionário, que se junta a Ronda Noturna e Dezembro de um Verão Maravilhoso, ambos da mesma editora (Iluminuras). São pequenos contos, originados a partir de perguntas do tipo “Quão velho é seu amante?”, “Já dormiu num automóvel?”, “Gosta de black music?”, que são respondidas por personagens através de monólogos.

Será um passatempo divertido procurar relações entre os dois novos trabalhos de Cadão. No disco, Cadão conta [ou melhor, reconta] histórias mais ou menos conhecidas, envolvendo pessoas públicas, como a fotógrafa Astrid Kirshner, o humorista Jacques Tati e o pintor Rene Magritte. Já no livro, alguns contos têm algo de autobiográficos, trazendo a marca registrada, a característica principal de seu trabalho como contista [e até em algumas letras do Fellini], que é o caráter inconclusivo dos textos, abrindo espaço para que o leitor dê um sentido a tudo o que está sendo dito.

O papo aconteceu na sede da Trip Editora, em um prédio discreto do bairro de Pinheiros (SP). Lá, Cadão trabalha como editor da revista da Natura, conhecida empresa de cosméticos. Alías, é esse tipo de publicação, conhecida no mercado editorial como revista customizada, que garante a sobrevivência financeira da empresa.

Ao chegar na recepção no dia marcado para a entrevista, uma simpática moça tenta me explicar onde posso localizar Cadão. “Você vai através de toda a redação da Trip e a sala dele fica bem em frente ao banheiro”, diz. Sua descrição faz parecer o local muito maior do que é na realidade. Assim que o elevador chega no segundo andar e avanço uns poucos metros, consigo avistar Cadão. Na verdade, ele não fica numa sala propriamente dita, mas numa mesinha bem no meio do salão, que, a bem da verdade, é de porte médio.

Depois dos cumprimentos e uma brincadeira a respeito do tempo que se passou entre nosso último encontro, em 1996, e o de agora [três filhos – por parte dele – e muitos fios de cabelos caídos de ambos os dois], Cadão me diz que só tinha um exemplar de seu livro, mas não do CD. Disse que já o tinha escutado e ele quis saber minha opinião. Respondi que gostei, mas que faltava algo mais na sonoridade A entrevista já tinha começado antes do gravador ser ligado.



(...) O último disco do Fellini, por exemplo, tem todo um conjunto de arranjos com sampler, é bem complexo. Não é simples. E a minha idéia era fazer uma coisa simples. Como diz o Jorge Drexler, é uma coisa de “canta-autor”. São baladas. O que você esperava?

Como The Gilbertos era uma extensão do Fellini, eu esperava essa extensão do grupo no seu trabalho...
Eu não acho que The Gilbertos seja uma extensão do trabalho do Fellini.

Eu acho. Tira a voz do Thomas [Pappon, também jornalista, membro único do The Gilbertos, ex-parceiro de Cadão no Fellini] em “Polly” e “Esguicho” e coloca a sua. Fica igual.
Mas eu não faria uma música como “Esguicho” com o Thomas. Tem muita coisa do The Gilbertos que eu não faria. Eu gosto muito mais do primeiro disco. Algumas coisas do segundo disco eu não faria por que não é o meu estilo, é o estilo do Thomas, isso que é legal. Ele tem o ouvido muito musical, é mais músico, tem mais habilidade musical. O Thomas ouve muito mais música do que eu, é uma verdadeira enciclopédia de pop. Isso ajuda muito. Eu não ouço tanta música quanto ele.

E o que você tem ouvido atualmente? Continua curtindo jazz?
Não, eu não tenho ouvido mais jazz. Engraçado, né? Em uma época pareceu uma grande petulância da minha parte dizer isso, mas hoje em dia não ouço muito. O último disco que eu ouvi foi o da Maria Bethânia, Que Falta Você Me Faz. Ela faz um tipo de arranjo meio anos 60. Eu estava ouvindo algumas coisas enquanto eu fazia o meu disco. Em primeiro lugar estava a Nico, com Chelsea Girl. Esse é um disco de referência para o que eu fiz. Só não tem violoncelo, mas tem guitarra. É um puta disco, porque tem canções de Bob Dylan, Jackson Brown, John Cale, Lou Reed, caras que foram fundamentais para minha audição. A voz do Lou Reed é simplesmente essencial. Ouvia também um cara, que é um professor da Califórnia ou de Miami, não lembro agora, que montou uma banda de um homem só chamada Iron & Wine. Ele tem umas baladas superintimistas, com pouca instrumentação, um violão folk. Eu comprei o disco nesse ano. O disco é curioso, pois a capa é pintada por ele mesmo.

Você achou seu duplo, então?
... [risos] Não sei se ele é meu duplo... Ele é muito melhor. Eu comprei pela capa e pela proposta. Vi em uma revista a cara dele e pensei que deveria ser legal. É meio nessa linha Elliot Smith, Nick Drake, da qual eu gosto muito também.

A sua trajetória é bem interessante. Você escreve contos, romances, textos jornalísticos; apresentou e apresenta programas de televisão. Você também fez comerciais. Trabalha com música, seja solo ou com o Fellini. O rótulo de multimídia caberia bem ao que você faz?
Sei lá. Eu faço realmente um monte de coisas. Rótulo é rótulo. Acho que tanto faz. Ao pé da letra, é, né? Mas é que se trata de uma palavra tão antipática, parece que faz tudo mal. O multimídia não consegue fazer nada direito. Na real, é isso. Eu não acho que seja assim. Faço algumas coisas porque tenho um talento natural e uso isso. Não me traz esforço algum apresentar programas de televisão. Os comerciais, sim, por que são chatos de se fazer. Você tem que bancar o idiota, vender Bradesco, essas coisas. Para mim é desagradável porque sou contra os banqueiros. Escrever e fazer música são habilidades naturais, eu acho. É óbvio que dá um puta trabalho. Não sou um diletante, na verdade, me esforço como um profissional. Eu só lanço meu trabalhos de forma independente porque é uma forma de ter liberdade. E também porque nunca fui convidado para fazer uma coisa como um escritor da Companhia da Letras, da Objetiva ou qualquer outra dessas editoras. Nem fui convidado pelas grandes gravadoras para fazer um disco. No entanto, meu empenho é profissional. O que o Fellini fazia, não era uma coisa amadora. Tínhamos um conceito, uma concepção avançada. Tanto era avançada, que nós não tínhamos compreensão total do que estava acontecendo. Modestamente, a gente acabou influenciando algumas pessoas, temos um público que ainda é fiel, isso para uma banda que não existe desde 1990 [apesar de ter lançado um disco mais de uma década depois], só fez um Tim Festival e deixou muita gente embasbacada porque tocamos no Tim Stage. Sou empenhado naquilo que eu faço. Para mim, o que importa é isso: fazer música e escrever. São as coisas que me levam para a frente, que fazem com que meu dia-a-dia não seja um inferno.

Existe alguma outra mídia ou manifestação artística da qual desejaria participar? Rádio ou teatro, por exemplo?
Rádio é uma coisa bacana. Ontem eu fui ao programa do Kid Vinil, na Brasil 2000 FM, e adorei aquilo. Foi ótimo rever o Kid, porque ele é um cara que eu admiro muito. Descobri que ele teve um programa de punk em 1978, o primeiro programa do Brasil, talvez, ou ainda da América Latina. Ele tinha viajado para Londres e viu Clash, Sex Pistols, tudo o que você possa imaginar. Mais tarde, voltou para lá e viu um show dos Smiths no começo, com 50 pessoas na platéia. Esse é o Kid Vinil. O cara é a verdadeira história do rock e acho um barato que ele seja assim. Agora, teatro eu acho um saco. Sou favorável àquele slogan do Casseta e Planeta: “vá ao teatro, mas não me convide”. E olha que gosto do Tchecov, é um dos meus escritores favoritos. Mas acho que o teatro que é feito no Brasil é qualquer nota.

Em algumas entrevistas, você disse ter um certo bode do seu passado com o Fellini. Como lida com isso hoje?
Isso hoje está bem mais resolvido. Não há nada como a distância e o tempo. Resolvem tudo. Quando o meu tempo com o Fellini passou, fui envelhecendo e passei a enxergar aquelas coisas como as coisas divertidas que fiz na vida. Hoje olho para tudo aquilo com carinho. Foi um barato ter feito, ainda bem que eu fiz. O Fellini me deu muitas coisas. Depois de um tempo, percebi que não fiquei pregando no deserto. Mas francamente não acho que a gente seja fundamental na história da música brasileira, não tenho essa concepção. O Thomas acha... [risos] Eu acho que fomos capazes de ter liberdade incondicional no que fizemos. Isso é raro para qualquer artista, seja ele amador ou profissional. Fizemos o que quisemos e pagamos o preço disso. Não vivemos de música, não ganhamos dinheiro com isso. Isso é uma coisa triste. Uma banda como o Fellini em qualquer lugar do mundo mais civilizado [Europa, Estados Unidos] teria um papel de banda mediana, uma banda que se sustentaria e poderia prolongar suas experiências musicais. Quem sabe onde iríamos parar? Tudo poderia ser diferente. Poderíamos encher o saco disso tudo também.

Por falar em encher o saco, você me disse que “a música acabou”, uma frase bem marcante, em uma outra entrevista. Em que momento mudou de idéia?
Mudei de idéia quando comecei a compor de novo. Toco violão desde os 15 anos e tenho uma atividade musical que se prolongou por muito tempo. Sei tocar, sei fazer, sei compor. Achei que chegou um momento de me confrontar com minhas próprias iniciativas musicais. O momento chegou, veio como deveria vir. As coisas acontecem muito tarde na minha vida, mas acontecem

Antes tarde do que nunca...
É, já fiz o meu disco, enfim...

Só falta plantar a árvore...
Já plantei quando tinha 7 anos, no Dia da Árvore... [risos]

Tem registros disso? [risos]
Infelizmente, não. Mas se eu conseguisse encontrar minha professora do primário... Acho que isso não vai acontecer... [mais risos]

Aquela frase foi muito forte, sabia?
Mas isso foi uma frase de efeito. Eu pensava daquela forma mesmo. Disse aquilo também baseado no que se fazia de música no Brasil e no que me interessava no que se fazia de música no mundo. O Brasil passa por um momento musical muito ruim. A MPB passa por um momento muito ruim de criatividade e invenção. Se você pensar que tivemos nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo e, principalmente, Tom Jobim... Se já tivemos nomes como esses, um letrista com Vinícius de Moraes, não é possível que a música brasileira esteja em um atoleiro como está agora, vivendo de um monte de cantoras de voz grossa, cujas composições são inócuas, ridículas. Eu ouço muito isso no rádio...

E qual seria o seu diagnóstico para esse momento?
Porque é uma pobreza mundial. Vivemos numa fase em que a criatividade no mundo se volta para o passado, de uma forma absolutamente canibal.

Você não acha que batemos no teto em termo de criatividade? Tudo já foi feito e não há mais para onde ir?
Acho que as pessoas são mais fracas hoje em dia. Antigamente costumava-se estudar. Hoje não se estuda. E outra: a Internet aceita tudo. Então, existe um sentimento de autotolerância dos mais jovens que eu acho meio ridículo. Quando eu era mais novo, tinha uma puta autocrítica [risos]. Eu e meus amigos... Era uma coisa que pegava bem pesado, porque a gente não se levava muito a sério. Hoje em dia qualquer cabeludo se acha o melhor compositor do mundo. Aí, vai sair tocando uma guitarra muito mal ajambrada e se acha sensacional. Essas coisas já foram feitas, isso é ridículo. O punk já existiu. Inclusive, esse é o lado ruim do punk, ter criado esse tipo de aberração.

Você está lançando um livro ao mesmo tempo de seu CD solo. São trabalhos totalmente diferentes?
Eu costumava dizer que não tem relação, mas é lógico que há. No lance musical existe uma poética um pouco mais livre, vamos dizer assim. No livro, existe uma poética, mas a de um escritor que pensa numa coisa um pouco mais global, porque o livro é um universo e tem peças que se relacionam. O meu livro é assim: ele se conecta na cabeça de quem o lê. Pode ter uma leitura shuffle, inclusive. Pode-se ler pela parte que quiser. Ele tem contos que se interligam de alguma forma e tem um universo ainda. E o CD, evidente, tem uma idéia, tem um conceito, acho que ele existe, só que é bem mais livre. Há uma contingência para se fazer música. Sempre faço a música primeiro e a letra depois. Então, ela tem que se adaptar a melodia. São dois trabalhos diferentes nesse sentido, mas é óbvio que foi a mesma pessoa que os fez. Deve ter uma relação, sim, mas não sou eu que vou dizer se tem ou não.

Está se vendendo o seu disco como uma aproximação à MPB. Isso se deve aos seus incidentes com o mundo indie, o mundo rock? [Essa é uma citação a um episódio recente no qual uma banda que Cadão montou, chamada Baile Punk, foi escalada para tocar em uma casa noturna indie de São Paulo, mas o local não reunia as condições técnicas adequadas. Após discutir com os responsáveis, Cadão foi embora sem se apresentar.]
Não, acho que é natural. Eu sempre ouvi muito MPB. A música brasileira é uma das mais ricas do mundo. Ter um Tom Jobim é ter um gênio na sua raça, isso é inegável. Como é que uma música tão forte como essa não vai influenciar quem faz música no país? Claro que vai, por mais que se fuja disso. Fazer rock no Brasil e cantar em inglês significa fazer uma micagem do que se faz em Londres ou nos Estados Unidos. Não venham me dizer que isso é uma expressão, não. É tipo não ter o que dizer. E inglês fica mais fácil. Então, a música brasileira é uma influência para todo mundo. Agora, as pessoas trabalham com as influências que têm. Eu sou um cara que era jovem na época em que o pós-punk estava no mundo. Era a música do mundo. Existe uma atitude muito bacana que era o punk, que me possibilitava, tocando medianamente um instrumento, ter uma banda. Era uma questão de atitude, mas nos distanciamos disso logo, porque não fazíamos essa tosqueira toda que era o punk. Começamos a nos sofisticar. Isso marcou no Fellini a união da música brasileira com rock porque era uma tendência de sofisticação natural. Porque éramos inquietos, queríamos fazer coisas diferentes. Não queríamos fazer o rame-rame. Se entrássemos nessa, certamente estaríamos no rádio.

Como é o teu relacionamento com o Rodrigo Lariú, do midsummer madness? Algumas de suas idéias são totalmente opostas à linha do selo dele, que lançou há três anos Amanhã é Tarde, o último álbum do Fellini...
Tenho um relacionamento ótimo com ele. O Lariú foi muito legal conosco por ter aceitado em seu selo o disco do Fellini, que é muito MPB. Pelo o que eu sei, ele gosta muito do disco e é uma honra ter um Fellini no seu cast. Eu acho um barato estar ligado a uma gravadora de indie rock, porque a minha idéia de música passa por isso também.

[Ainda na mesma resposta, Cadão volta a falar de seu disco solo]
Eu brinco com o conceito do meu disco. Acho que é um disco de banquinho e guitarrão. É bem isso mesmo. A idéia era não ser MPB, mas ser MPB também, por que não? A minha tradição de ouvinte é de coisas dos anos 70. Quando o Carnaval Chegar, de Chico Buarque, para mim é um disco muito importante. Um compositor chamado Sidney Miller, que era daquela época também, foi um cara muito importante, porque eu gosto de melodia. Gosto de palavras e melodia, gosto de poética e melodia. Isso é a música brasileira, é o que ela tem aos borbotões. Agora, a MPB vai até uma certa fase. Começa os anos 80 e pode se jogar tudo no lixo. Nesse sentido eu e o Thomas somos bem parecidos, porque ele pensa a mesma coisa. Se bobear, Thomas tem uma cultura musical bem maior que a minha, mas nós ouvimos as mesmas coisas de uma certa forma. Ele gosta de coisas mais experimentais e eu gosto de melodias, de coisas arrebatadoras.

Quando você pensou em fazer o disco solo sua intenção era de cara oferecê-lo à Outros Discos?
Foi a primeira opção que ocorreu. Maurício Bussab foi extremamente generoso. Ele soube que existia o disco do Funziona Senza Vapore, quis ouvi-lo, gostou e me chamou para a gente lançar. Ponto. Essa facilidade, essa coisa bacana de se lançar um produto assim, uma coisa menor, isso me estimulou muito. Quando fiz meu disco solo, fui direto até ele. Era o cara que eu queria que ouvisse esse trabalho. O material que eu tinha apresentado de primeira apresentou alguns problemas técnicos, por isso que ele tem duas datas de gravação: setembro de 2003 e setembro de 2004. Eu voltei ao estúdio com ele e aí as músicas ganharam arranjos que ficaram um pouco mais sofisticados. Essa parte mais tosca de que você fala é a parte inicial. Nela, eu fui sozinho para o estúdio, botei uma guitarrinha e cantei em cima. Depois, eu e ele fomos intensificando um pouco mais os arranjos. Aí ficou um pouco mais complexo, acho.

[Na pergunta seguinte, eu queria saber mais sobre o processo de criação de Cadão. Planejava fazer uma relação de seu ato de escrever com seu ato de composição e, para isso, me baseei em uma entrevista sua ao site Rabisco – leia aqui. Nela, ele disse escrever seus contos à mão livre. Agora, Cadão não se utiliza mais desse recurso.]
Não costumo escrever à mão. Eu já escrevi muita coisa à mão, mas hoje em dia tudo o que eu escrevi do meu próximo livro eu escrevi no computador. Em Questionário, escrevi algumas coisas à mão, outras no computador. Não tenho nada contra o computador , ele facilita a vida de todo mundo.

É que você disse, não sei se foi a mim ou em uma outra entrevista, que você escrevia à mão...
Sabe o que é? Eu tenho meio que um fetiche por letra, pela minha letra. E escrever ajuda muito a pensar. Esse é meu caderno de anotações... [mostra uma caderneta preta]

Esse é o meu... [mostro a ele um velho caderno universitário]
Para o disco eu não sentei no computador para fazer as letras. Meu contato com o computador para fazer música é zero. O Maurício gravou algumas coisas e sintetizou algumas guitarras no computador, dando alguns efeitos, o que foi muito legal. Tudo que o Maurício fez no disco melhorou-o muito. Engraçado que o Thomas pensa o mesmo que você. Ele acha que as músicas que têm só guitarra e voz estão incompletas e as que têm voz complementar, guitarras dobradas ou algum outro efeito ficam mais legais.

Você pretende continuar compondo e gravando solo?
Não tenho a menor idéia, Rodney. Eu continuo compondo. Talvez eu grave.

Para você mesmo ou para um futuro com o Fellini?
Para o Fellini, não. Não quero mais tocar com o Fellini.

Você acha que acabou mesmo?Ë tudo muito difícil. O Thomas mora em Londres, não cabe ficar fazendo coisas em conjunto. Ele sempre vem com umas idéias do tipo: “em agosto estou aí no Brasil, vou levar meu porta-estúdio”. É provável que, se ele vier e trouxer o porta-estúdio, nós possamos gravar alguma coisa, mas vamos ver. Eu estou gostando da minha carreira solo, acho bacana. Tenho ensaiado muito com o Jair Marcos, que era do Fellini, para tocar no lançamento do CD [que seria no dia seguinte à gravação desta entrevista]. Tem sido um prazer tocar com ele. Nós já trabalhávamos musicalmente juntos desde 1979, em uma banda punk chamada Toque de Recolher. Agora, nessa fase mais acústica, nos demos superbem. Daqui para a frente, talvez eu leve adiante um trabalho com duas guitarras. E gostaria que o Jair participasse disso. Ele é um puta talento.

Além dele, existe outra pessoa com quem você gostaria de trabalhar?
Maurício Bussab. Enquanto músico, as idéias musicais que ele tem são muito bacanas. Ele é um cara brilhante. Acho que ele é um mentor musical muito generoso. Não é um cara preconceituoso, sectário. Isso são coisas que melam a atividade artística, mas ele é um cara bacana. Eu gostaria de trabalhar com ele.

As letras do seu disco continuam pós-modernas, cheias de referências. Uma delas é Astrid Kirshner, fotógrafa que registrou os Beatles na fase de Hamburgo. Existem outras?
Vou te contar exatamente o que aconteceu. Não acho que seja pós-moderno, não sei como te definir. Primeiro, que tem uma coisa surrealista, mas com o pé no chão. É um “surrealismo de resultados”... [risos]. Outro dia, ouvi uma expressão muito boa que é “punk de resultados”... [mais risos]. O meu surrealismo é um “surrealismo de resultados”. Ou seja, tem uma função poética. Eu sou um leitor de poesia há muito tempo, desde os anos 70. Tenho uma formação poética e não me arrependo disso. Acho que foi essencial para mim. Li muito Erza Pound, Eugène Montaigne, Giuseppe Ungaretti. Gosto muito de Drummond, o próprio Augusto de Campos... Passei por todos eles. Oswald de Andrade, enquanto poeta, acho bacana. Eu diria que tenho um mix de influências. No caso dessas letras, a coisa toda aconteceu em um período só, em um espaço de três semanas, no ano de 2003, um pouco antes do Tim Festival. Comecei a entrar naquela trip do festival, achando “pô, que bacana”. Bom, aí curiosamente aconteceu comigo um movimento contrário: em vez de me colocar como um popstar, acabei me recolhendo. Nesse processo, decidi fazer algumas coisas. Eu tinha visto um documentário sobre Renè Magritte, um pintor surrealista, e dali saíram algumas idéias. Começou o processo aí.
A música “Carrossel” surgiu assim. Magritte conheceu a mulher dele em um carrossel. Eles se apaixonaram só de se olhar, mas foram se casar sete anos depois. “Carrossel” cita LSD, uma música do Fellini: “Conheci você num carrossel/ Numa segunda-feira faz 100 anos”. O meu disco é romântico. Se você prestar atenção, os discos do Fellini são românticos, então é uma coisa que permanece normal. As outras músicas vieram na seqüência. A história da Astrid Kirshner veio de uma Rolling Stone especial sobre o George Harrison na qual havia várias fotos dos Beatles tiradas nos tempos de Hamburgo. Ela tinha uma relação muito legal com o George, então é por isso que a música fala “O primeiro era um irmão/ O segundo era um cínico”. O cínico era o John Lennon. “O terceiro veio ao Rio/ Onde ela havia nascido”. É uma piração, mas enfim o Paul McCartney veio tocar no Rio de Janeiro. “Vai do quarto para a sala”, eu gosto muito dessa frase, o quarto pode ser o quarto beatle, que é o Ringo, mas na fase Hamburgo ainda não era ele. É uma mescla de efeito romântico com uma figura pública. E eu gostei de fazer isso.

São histórias que você gostaria de recontar, então?
De certa forma eu acho que são histórias não contadas. A história da Astrid é conhecida, mas é do começo dos Beatles, quando eles não eram famosos, é bacana.

Nesse caso, não teria um quê de jornalismo? Porque você pega essas histórias e as reconta...
Não, eu não tenho nenhum interesse em fazer jornalismo, porque quando se faz isso, na verdade está se querendo passar uma mensagem e não tenho intenção de fazer isso. Eu quero contar coisas que me emocionam e isso é poesia. Se isso sai da minha mão de uma forma que emociona as pessoas, é o que importa para mim. Esse disco tem a preocupação de ser fiel a mim mesmo e de dizer coisas que sejam bacanas, não importa que elas tenham um sentido imediato. Por isso que eu falo “Tudo o que eu quero dizer não faz sentido/ Tudo o que eu quero dizer tem de ser no ouvido”, daí o título. Porque é uma coisa íntima e essas coisas íntimas nem sempre tem sentido, né?

Tem um tema instrumental no seu disco, não?
Sabe de onde veio? Eu li na Internet que o Jaqcues Tati, um cineasta de quem eu gosto muito, ele tinha uma frase assim: “meus filmes não fazem madame Tati sorrir”. Eu achei isso sensacional, o cara era um cômico e os filmes dele não faziam a mulher dele rir. Já pensou que tragédia familiar? [risos]

Talvez ele fosse engraçado em casa...
Acho que ele não era nada engraçado em casa... Daí saiu essa música: “Tudo o que ele faz não faz ela rir”. E tem essa cara meio retrô, meio seriado dos anos 60. Eu usei o mesmo tipo de teclado Casio que usava nos tempos do Fellini, um teclado vagabundinho. Então, tem uma relação com o Fellini, de fato tem.

Acho que tudo o que você ou o Thomas – e mesmo o Ricardo e o Jair – em termos musicais vai ter uma relação com o Fellini, tanto para o bem, como para o mal.É, mas tudo bem. Tá limpo...

[Olhando para o exemplar de Questionário que ganhei de Cadão] Esse aqui é mais um livro de contos...
Eu inventei um processo. São 30 perguntas aleatórias para personagens, cujas respostas têm uma relação entre si. São alguns blocos de perguntas relacionadas com um mesmo período. Digamos que elas avancem do final dos anos 70 para meados dos anos 80. Eu criei uma espécie de monólogo, uma coisa meio teatral. É uma coisa meio proustiana, porque Proust tinha esse questionário elegante que ele passava aos amigos mais chegados, tipo “qual o seu hobby?”. É um jeito diferente de fazer um conto.

Com certeza, esses textos devem trazer a marca do caráter inconclusivo de seus trabalhos...
Isso eu acho uma coisa importante, porque é uma forma do leitor ter uma participação no livro. Você pode montar algumas coisas na sua cabeça e elas podem lhe trazer alguns significados que talvez não tivessem para mim. Isso é bacana.

Você está trabalhando em algum outro livro?
O próximo é um conjunto de pequenos contos e uma novelinha, e vai se chamar Paciência Revolucionária. Vai sair também pela Iluminuras. Deve ser publicado no começo do ano que vem. Ninguém sabe disso...

Vamos furar todo mundo, então. [risos]



A entrevista não acabou depois que o gravador foi desligado. Depois de ler os contos de Questionário me dei conta de que alguns dos monólogos caberiam muito bem em teatro. Imediatamente lembrei do trecho da entrevista em que Cadão dizia achar o teatro feito hoje em dia chato. Escrevi a ele e até levantei a relação dos textos do livro com o programa Contos da Meia Noite, iniciativa bem legal da TV Cultura, de São Paulo. Eis sua resposta, via e-mail:

“Você tem toda razão sobre os monólogos. O teatro que eu não gosto é o teatro que tem por aí. Mas é meio injusto dizer isso, sem ver nenhuma peça. Aliás, pura contradição: assisti a uma montagem de A Morte do Caixeiro Viajante, do Felipe Hirsch, que gostei muito. Então, põe na minha conta: foi meio uma frase de efeito”.

No final, ele dá uma boa notícia . “Fiquei tão animado com ontem que vou continuar tocando. Eu e Jair.”

*

Publicado no site Bacana

domingo, novembro 11, 2007

O fim da Revista MTV

Sites dedicados à cobertura da mídia como o Portal Imprensa e o Comunique-se informam que a Revista MTV pára de circular em dezembro.

Uma pena que a Revista MTV vai ficar na história não por suas grandes reportagens ou então por sua qualidade editorial. A falsa entrevista (que teria sido feita por e-mail) publicada no ano de 2001 com Julian Casablancas, vocalista dos Strokes, vai ficar na lembrança de jornalistas e leitores que têm um pouco mais de senso crítico.

O caso veio à tona em 2003 e teve certa repercussão na época. Algum tempo depois, caiu no esquecimento. A pessoa que fez a acusação nunca mais tocou no assunto. Disse certa vez que estava passando um recado (como se uma coluna hospedada num portal de notícias ligado àquele que já foi o maior jornal do país fosse um espaço próprio para se mandar recados).

Por sua vez, o acusado nunca se preocupou em vir a publico para se defender, dizer pelo menos que Julian estava equivocado ou até mesmo apresentar a cópia do e-mail, que seria o cala-a-boca definitivo. Em vez disso, a opção foi de varrer a coisa para baixo do tapete, como se fosse lixo.

Somente em 2004, em entrevista ao Observatório da Imprensa, o então editor-executivo Zé Mangini se pronunciou a respeito do assunto: "Esse tipo de embate é comum em nosso meio. Todas as nossas fontes, entrevistas e matérias passam por apuração antes de serem publicadas, quer feitas por colaboradores, quer pela própria redação. A gravadora confirma que houve a solicitação da entrevista". Mangini completava sua breve explicação dizendo que o jornalista que revelou a história da fraude "tem todo o nosso respeito".

*

Publicado no Laboratório Pop

segunda-feira, abril 03, 2006

Faz tempo que eu não passava por aqui. Voltei só para avisar que estou com um blog no site Laboratório Pop, quase que uma extensão do que eu fazia por aqui.

O link é

http://laboratoriopop.com.br/pagina.php?abrir=texto_colunista.php&idcolunista=16

sábado, setembro 24, 2005

O Onzenet acabou.
Nada a ver com a confusão que rolou por aqui nos últimos tempos.
Só sei que cansei de manter um blog, ao menos por enquanto.
Se voltar a blogar, tenho certeza que será em outro endereço, com outro nome e, quem sabe. uma nova proposta.
Pretendo continuar escrevendo para o Laboratório Pop, o Observatório da Imprensa, o Bacana e onde mais aceitarem meu trabalho e meus textos. Posso dizer que vem coisa boa por aí.
Vou deixar o blog no ar, até porque tem uma meia dúzia de pessoas que entra aqui via Google procurando alguma coisa. Quem sabe, alguma coisa que eu escrevi nesses anos de Onzenet possa ajudar.
Agradeço a todos aqueles que prestigiaram com sua visita e deixo um abraço aos amigos que fiz aqui.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Já perdi a conta, mas essa deve ser a quarta ou quinta entrevista que eu faço com Cadão Volpato. Sei que ela irá dar mais munição ao pessoal que gosta de pegar no meu pé pelo fato de sempre escrever sobre o Fellini ou sobre coisas relacionadas aos seus integrantes. Mas que culpa tenho se o que eles fazem acaba virando notícia? Desta vez, Cadão ganha espaço em dobro por lançar ao mesmo tempo um álbum, que marca a sua estréia solo, depois de anos trabalhando em grupo, e mais um livro de contos.

O CD se chama Tudo o Que Eu Quero Dizer Tem Que Ser no Ouvido (Outros Discos) e não deixa de ser uma surpresa. Primeiro, pelo fato de Cadão trabalhar sozinho, desde a composição até a execução das canções. Depois, porque não se esperava nada mais dele em termos musicais depois de decretar que “a música acabou”, logo após a apresentação do Fellini no Tim Festival de 2003.

E o livro é Questionário, que se junta a Ronda Noturna e Dezembro de um Verão Maravilhoso, ambos da mesma editora (Iluminuras). São pequenos contos, originados a partir de perguntas do tipo “Quão velho é seu amante?”, “Já dormiu num automóvel?”, “Gosta de black music?”, que são respondidas por personagens através de monólogos.

Será um passatempo divertido procurar relações entre os dois novos trabalhos de Cadão. No disco, Cadão conta [ou melhor, reconta] histórias mais ou menos conhecidas, envolvendo pessoas públicas, como a fotógrafa Astrid Kirshner, o humorista Jacques Tati e o pintor Rene Magritte. Já no livro, alguns contos têm algo de autobiográficos, trazendo a marca registrada, a característica principal de seu trabalho como contista [e até em algumas letras do Fellini], que é o caráter inconclusivo dos textos, abrindo espaço para que o leitor dê um sentido a tudo o que está sendo dito.

O papo aconteceu na sede da Trip Editora, em um prédio discreto do bairro de Pinheiros (SP). Lá, Cadão trabalha como editor da revista da Natura, conhecida empresa de cosméticos. Alías, é esse tipo de publicação, conhecida no mercado editorial como revista customizada, que garante a sobrevivência financeira da empresa.

Ao chegar na recepção no dia marcado para a entrevista, uma simpática moça tenta me explicar onde posso localizar Cadão. “Você vai através de toda a redação da Trip e a sala dele fica bem em frente ao banheiro”, diz. Sua descrição faz parecer o local muito maior do que é na realidade. Assim que o elevador chega no segundo andar e avanço uns poucos metros, consigo avistar Cadão. Na verdade, ele não fica numa sala propriamente dita, mas numa mesinha bem no meio do salão, que, a bem da verdade, é de porte médio.

Depois dos cumprimentos e uma brincadeira a respeito do tempo que se passou entre nosso último encontro, em 1996, e o de agora [três filhos – por parte dele – e muitos fios de cabelos caídos de ambos os dois], Cadão me diz que só tinha um exemplar de seu livro, mas não do CD. Disse que já o tinha escutado e ele quis saber minha opinião. Respondi que gostei, mas que faltava algo mais na sonoridade A entrevista já tinha começado antes do gravador ser ligado.


A íntegra da entrevista você confere no Bacana. Clique aqui.

sábado, agosto 20, 2005

Os habituês deste blog sabem quem é Roberto Maia. Durante muitos anos, ele comandou a Rádio Brasil 2000 FM, de São Paulo, em sua época áurea, comandando programas como 2000 Volts, O Lançamento Nosso de Cada Dia e Sessão da Tarde. Hoje ele está afastado do rádio convencional, mas agora vem com um projeto muito interessante que é o de produzir programas para I-Pods. Para quem não sabe ainda, trata-se daquele aparelhinho no qual a pessoa pode armazenar e reproduzir seus arquivos musicais na extensão MP3. Maia estreou há pouco tempo o seu Momento Maia Podcast, um programete de meia hora, que pode ser baixado pelos felizes proprietários de I-Pod. O bom é saber que ele não perdeu a velha forma. O formato é simples: boa música e os comentários sempre precisos daquele que é o verdadeiro Homem-Enciclopédia (tem muito genérico por aí).

Na segunda edição do Momento Maia Podcast, tive a honra de ter um pedido atendido. Escrevi a ele pedindo para tocar uma música do Drugstore, a banda da brasileira Isabel Monteiro. Maia rolou "Black Star", cover do Radiohead que foi gravada nos estúdios da Brasil 2000 FM, em 1998, se não estou enganado. Uma gravação rara e que tenho certeza de que as pessoas vão gostar muito.

Quem não tem o I-Pod pode ouvir essa nova fase de Roberto Maia na própria Internet, através do Windows Media Player. Ouça a segunda edição acessando aqui. Ou então, acessar o site http://radiomaia.tripod.com

sexta-feira, julho 22, 2005

Estranhos no Ninho

Guitarrista do Fellini fala sobre a apresentação no Tim Festival de 2003 que causou polêmica entre público e crítica.

Por Rodney Brocanelli

Quem diria que uma banda semi-profissional iria causar uma das maiores polêmicas musicais do ano de 2003? Tudo começou quando foi divulgada a escalação oficial do Tim Festival. A presença do Fellini entre aqueles que iriam tocar no evento causou estranheza em certos círculos dos meios musical e jornalístico. O que uma banda de trajetória tão errante estaria fazendo num festival de grande porte ao lado de nomes já tão conhecidos como White Stripes? Alguns centímetros de textos em jornais, sites e blogs foram utilizados para tentar responder a esta questão.

A apresentação propriamente dita do Fellini (ocorrida no dia 31 de outubro) apenas serviu para aumentar ainda mais a polêmica. Depois de uma rápida pesquisa no Google, procurando pelas palavras-chaves “Fellini Tim Festival”, a conclusão (por amostragem) é que houve uma rígida divisão. Metade das pessoas que estavam lá curtiram o show, enquanto a outra metade torceu o nariz.

Agora que a poeira baixou, ninguém melhor do que alguém que estava lá no palco para contar como as coisas rolaram. Na entrevista que se segue, Jair Marcos dá sua visão pessoal da participação do Fellini no Tim Festival. Ele revela detalhes do antes, durante e depois nesse papo que aconteceu via e-mail. Jair fala ainda sobre O Baile Punk, uma outra banda que mantém com integrantes do Fellini, e sobre seus outros projetos musicais.


Pelos comentários publicados em blogs e resenhas de grandes veículos, chega-se a conclusão de que o show do Fellini no Tim Festival dividiu opiniões. Metade gostou, a outra metade não. Qual foi a impressão que vocês tiveram da reação do público no momento em que estavam tocando?

Olha, não é muito fácil chegar a um grande festival como esse. Para nós foi tudo uma surpresa, principalmente termos sido colocados no palco principal, ao lado de grupos que estão na cena mundial hoje. O show começou um tanto morno, mesmo porque era essa a idéia mesmo. O Fellini é exatamente aquilo que mostrou. Depois fomos esquentando o show e cativando a platéia. No geral, sinto que fomos bem recebidos. Alguns críticos acharam o som "frouxo", coisas do gênero. Eu acho que poderia ter tido bateria além da percurssão do Silvano Michelino, para o som ficar com mais pegada. Mas tivemos muito pouco tempo para o preparo de tudo. O importante é que mostramos um bom resumo dos 19 anos de existência do Fellini...

Você chegou a ler algum comentário sobre o show? Em caso afirmativo, como recebeu as análises?

Cara, não cheguei a ler os comentários de O Globo, que parece que foram bem críticos, nem vi a "carinha feia" do Jotabê Medeiros, no Caderno 2. Li somente a matéria que saiu no próprio site do Tim e mais alguma coisinha por aí. Sei que o cara d'O Globo chamou o show de "flácido". Bem, eu sou meio magrinho, os outros não estão tão "gordos" assim. (risos). Brincadeiras a parte, acho que eles (os críticos) têm a razão deles, e talvez tivessem preferido ver um show de altíssimo nível profissional. Como já afirmei, tivemos pouco tempo para preparar o show (menos de uma semana) e não tínhamos muita bala para chamar outros músicos profissionais para enriquecer ainda mais o som. Mas tivemos certo "punch" sim, e os críticos que vão fazer o som deles, ora bolas... Afinal, nossas canções são bonitas e fizeram a cabeça de várias gerações.

Você acredita que se a apresentação tivesse acontecido em São Paulo, a reação seria diferente?

Olha, não acho que muda muito, não. Em 98 fizemos nosso primeiro "revival", tocando em São Paulo, Brasília e Rio. Principalmente aqui em Sampa e no Rio, a receptividade foi grandiosa. Nunca tínhamos tocado para platéias que cantassem nossas músicas junto com a gente. Foi o que aconteceu naquele ano. No caso do Tim Festival, vieram várias pessoas me cumprimentar após o show dizendo que foi o máximo, muito bom etc. Soube que no meio das cerca de 2 mil pessoas (para quem tocamos) haviam muitas pessoas emocionadas de estarem vendo a gente no palco. Teve até aquela reação de pedido de "bis". Assim também foi a reação do público de Recife, no Rec Beat em 2000. O Fellini é assim mesmo, um grupo não profissional, com boas canções que alegra Gregos, mas não os Troianos... Nossos discos dão conta do recado e mostram melhor nossa proposta musical, se for o caso. Comprem!

As condições dadas pela organização do Tim Festival foram satisfatórias ou há algum reparo a fazer nesse sentido?

Eu pessoalmente sofri com o meu retorno no palco. O Whirlwind Heat entrou antes da gente, e meu esquema foi mudado. Na tensão inicial do show, acabei deixando barato, e toquei o show assim mesmo, usando a "técnica" de sair da frente do retorno, quando eu não estava fazendo backings vocals - aí eu ouvia melhor todo mundo. Quanto às acomodções no Meridien, em Copacabana, sem comentários. Maravilhosas. O Hotel estava muito divertido com toda aquela "fauna" de músicos andando para cima e para baixo. No geral, a organização foi boa.

Como se deu a escolha do repertório?

Com bastante discussão via email entre todos nós (antes de nosso encontro oficial). O Thomas apresentou uma lista como proposta inicial. Eu sempre fui a favor dos rocks e consegui emplacar com "Rock Europeu" e "LSD". Acontece que esta última não ficou muito favorável nos ensaios e acabou sendo cortada. Mas levamos em consideração as músicas que mais marcaram como "Teu Inglês", "Zum, Zum, Zum Zazoeira", "Amor Louco", "Samba das Luzes" e duas do último disco. "Longe" ficou com um arranjo muito bom, e a platéia reagiu muito bem a esta canção.

O tempo para ensaiar foi suficiente?

Sim, acho que para a proposta do som, foi o suficiente. Nunca tínhamos ensaiado tanto em tão pouco tempo. Meus dedos ficaram calejados, antes doloridos. Mas conseguimos acertar todo o repertório e fizemos um bom show, sem erros pelo menos (risos).

Como foi o clima entre vocês do Fellini antes e depois de que vocês subiram ao palco? Rolou alguma história curiosa, engraçada?

Antes é sempre aquele cagaço. Mas para mim, parece ser mais legal tocar para grande platéias. O friozinho na barriga acontece sempre antes de alguma apresentação, pode ser para meia dúzia de pessoas. Percebi que todos estávamos bem tensos. Mas a tensão vai passando na decorrência do show. A interatividade com a platéia é a melhor parte de tudo. É bom quando você olha para o público e vê que tem alguém lá chacoalhando com o que você está fazendo. Claro quer o melhor da festa é receber uma boa receptividade – e reafirmo que foi isso que ocorreu, críticas à parte. O pós show foi puro alívio de dever cumprido, muita adrenalina de alegria, e cerveja a dar com o pau... Só festa.

Houve tempo para que você acompanhasse algum outro show do Tim Festival?

Claro, chegamos um dia antes. Vimos a Beth Gibbons, a k.d.Lang, o Wado, o Lambshop. Circulamos por toda a área do Festival. Foi muito interessante. Chegamos até a entrar no Tim Club, e vimos rapidamente alguma coisa de Jazz por lá. Depois de nosso show vimos (e adoramos) o Super Furry Animals, vimos os The Raptures e os queridnhos White Stripes...

A propósito, seu celular é Tim ou Vivo?

Vivo.

E O Baile Punk, a quantas anda? Um CD registrando as músicas de vocês pode ser lançado em 2004?

Olha, isso depende da boa vontade do Cadão. Nos encontramos no último sábado e ele não me pareceu muito animado não. Ele disse que esqueceu as músicas. Bem, temos que esperar o pique musical voltar, porque o Tim Festival sugou bastante nossas baterias.

Além do Baile Punk, quais são seus outros projetos musicais?

Eu quero começar a compor sozinho. Depois dos 40, acho que a gente tem que começar a mostrar alguma coisa própria. Sempre compus coisas sozinho, mas nunca mostrei nada por aí. Talvez este seja o momento, inclusive um bom desafio pessoal. Não prometo nada, mas sinto muita vontade.

E sobre o futuro do Fellini, o que você pode dizer? Teremos alguma outra surpresa ou acredita que não há mais volta mesmo?

O Fellini sempre ME surpreende, porque o Fellini são pessoas: sou eu, o Thomas, o Cadão, o Ricardo. E pessoas são instáveis, surpreendem. Nossas voltas em 98, 2000 e agora, em 2003, foram todas surpreendentes não só para o público, mas para nós também, porque vimos que tínhamos condições de realizar bons shows, melhores dos que fazíamos quando o grupo ainda estava reunido. Para Thomas e Cadão, o grupo não volta. Eu sempre duvido, porque a vontade sempre grita alto, e o destino dá um jeitinho de a gente se reunir, como foi o Tim Festival. O legal mesmo seria fazermos um sexto disco com a formação original citada. Quem sabe?

*

Essa entrevista foi publicada no site da revista Zero em janeiro de 2004. Está meio perdida por lá, então resolvi traze-la para cá. Já tinha etrevistado Thomas Pappon, Cadão Volpato, mas nunca tinha falado com o Jair Marcos. A idéia foi repercurit o diz-que-diz acerca da participação do Fellini no Tim Festival, antes e depois.

A pergunta sobre a operadora de telefonia celular da qual Jair é cliente se baseou num texto de Bruno Medina, tecladista da banda Los Hermanos. Ele colocou em seu blog, Instante Anterior, um post desancando a organização do Tim Festival, entre outros motivos porque os shows da sexta-feira, dia em que ele foi como espectador, começaram no horário. Ao final, ele escreve: "e é por isso que meu celular continua sendo Vivo".


Jair Marcos, grande figura, um boa praça do meio musical, tem acompanhado Cadão Volpato nos shows de lançamento que este tem feito de seu CD solo: "Tudo o que eu quero dizer tem de ser no ouvido".

quarta-feira, julho 20, 2005



Essa é a capa da próxima edição do Laboratório Pop que estará nas bancas. Não perca.

sábado, julho 09, 2005

Lúcio Ribeiro e o leitor-fonte

A entrevista a seguir é com o jornalista Lúcio Ribeiro, especializado em música e cinema. Colaborador da Folha de S. Paulo, mantém uma coluna de sucesso no site Folha On Line. O papo náo é inédito. Ele saiu no Observatório da Imprensa, em 2003. Aqui, o leitor poderá acompanhar uma versão mais extensa da conversa. Apesar do gancho principal ser a revista Out!, que nem mais circula, a sua nova publicação se justifica por outros assuntos abordados por Lúcio e que continuam atuais (Rodney Brocanelli).

O que levou você a fazer um guia e não uma revista de música como nos moldes tradicionais?

Lúcio Ribeiro – Revista de música no Brasil eu acho complicado. Deve-se ter uma idéia arejada para o mercado viciado (ou não-mercado brasileiro) de revistas. Aqui não temos uma indústria de música, tudo aqui é meio jogado. Existem gravadoras, existem rádios, existem lançamentos de discos, existem bandas, mas não há uma indústria musical. Ou se tem uma idéia razoavelmente boa para uma revista de música ou se está fadado a ir pelo sonho, pela garra de uma coisa que não faz parte de uma cultura musical. Às vezes acontecem uns picos bons, mas não dá para sobreviver num país que vive uma situação econômica instável como a nossa. A Out! nasceu de uma idéia que eu tive quando vi uma revista similar em Nova York, jogada no cantinho de uma loja de discos. O nome dela é Flyer, até por trabalhar com a cultura flyer, e também pelo seu tamanho. Na época, isso foi em 2000, pensei que poderia ser legal que tivéssemos algo semelhante, só que voltada para a música eletrônica. Como o rock começou a ter um caráter mais forte agora, começou a ser um pouco mais organizado e pegar como cena mesmo, não tanto como a música eletrônica, mas já com um corpo de cena, achei que era superinteressante lançar a revista agora. Desde o ano de 2002 passei a trabalhar no seu planejamento e as coisas foram casando.

Qual a abrangência da Out! ?

LR – Ele vai circular apenas em São Paulo e pode ser encontrada em lojas de discos, em clubes, em bares, em alguns restaurantes, em lojas de acessórios para roupas, cabeleireiros da Galeria Ouro Fino. Esse é um circuito que nós da equipe traçamos, pois é o caminho por onde passa a galera que sai a noite, tanto para ir a shows de rock, quanto para baladas de música eletrônica. A intenção é pegar o nosso público nesses lugares que eles freqüentam de dia antes de sair para as noitadas, mas a revista também vai estar na noite. A tiragem é de 30 mil exemplares, algo grande para uma revista desse porte.

A Out! vai ser distribuída gratuitamente?

LR - Vai. O formato dela é de flyer mesmo, 10x15, justamente para não vender, porque aqui esse tipo de publicação não vende mesmo.

E como está sendo o retorno comercial?

LR – A Out! ainda está no começo e todo começo é muito difícil, existem altos e baixos. Estamos no terceiro número e ela consegue se pagar. Enquanto o guia não onerar muito o meu bolso e dos meus sócios, tudo bem. Não é uma publicação cara e ela ainda tem uma certa vida. Cada número é uma emoção, como tudo aqui no Brasil, principalmente no ramo de revistas.

Que tipo de anunciante vocês pretendem focalizar?

LR - O guia pode ter todo tipo de anúncio, desde remédio que vai curar a dor de cabeça depois da balada, até carro feito para levar a galera nos lugares.

Existe uma equipe destinada a vender anúncios?

LR - Não, na verdade eu sou a equipe comercial da Out! Tenho a ajuda de um amigo e peguei consultoria de outros amigos publicitários bem colocados no mercado. Quando expliquei o projeto, eles disseram que o melhor contato comercial era eu mesmo

E a equipe que produz o guia?

LR – Quem também faz a Out! além de mim é o João Carlos De Pinho, responsável pela produção. Ele monta o guia no computador, faz o contato com a gráfica, entre outras coisas. Recentemente, entrou para a equipe o Rogério Andrade, que está encarregado da edição visual e ajuda nos contatos com o mercado publicitário. A nossa sede é na casa do João Carlos e nos reunimos lá apenas uma vez por semana para o fechamento. Tem dois meninos na equipe que vão mexendo na atualização da agenda de eventos. E eu vou criando as pautas e convidando pessoas para escrever.

O que é necessário ainda aprimorar na Out! ?

LR – A Out! ainda está nascendo e eu não sou publicitário. A cada dia descubro manhas e artimanhas desse mundo da publicidade. Nós estamos no terceiro número e vou aprendendo sempre uma coisa nova para tentar atrair anunciantes. Ficamos adiando o seu lançamento e chegamos num momento em que tínhamos de coloca-la na rua, nem que fosse para ver como é, para ver se ela acontece. Assumimos alguns riscos, mas demos sorte logo na primeira edição e conseguimos anunciantes que cobriram os custos e ainda nos deram uma folga para as edições seguintes.

Você crê que o formato guia é mais interessante do ponto de vista mercadológico? É mais fácil de criar uma identificação com o leitor?

LR – É um formato inédito aqui. Ele é atraente porque é único e não-convencional. A Out! tem um formato de flyer e quando a distribuímos, ela some. As pessoas não a jogam fora, elas guardam consigo para servir de guia mesmo. São dois os seus sustentáculos: um é o do serviço, que não existe por aqui. Não há uma programação decente para consulta de endereços e mesmo de eventos. O leitor vive da Veja em São Paulo, do Guia da Folha, que saí às sextas-feiras, que é uma coisa insípida. Outra coisa que a sustenta é a parte "cult" de eu chamar pessoas legais para colaborar, de tentar abordagens diferentes. Na segunda edição, chamei o estilista Marcelo Sommer para fazer a capa e ele tem um nome forte na cena noturna. Chamei também a Claudia Assef, o André Barcinski....O Zeca Camargo tocou na festa de lançamento e vai colaborar conosco. O Álvaro Pereira Junior vai escrever algo. O Bruno Porto, que é um cara muito bom nessa coisa de cultura pop e que escreve para o Globo, do Rio. Embora a revista seja de São Paulo, eu o chamei para participar também. O Thiago Ney, da Ilustrada (Folha de S. Paulo) escreveu, a Érika Sallum, da Veja... O Serginho Teixeira Jr., que está lançando pela Abril a revista Volume 01, vai fazer uma matéria sobre a cena black. O José Flávio Junior, da Usina do Som, vai escrever sobre a banda Los Pirata. Enfim, as pessoas que saem a noite, que tem uma idéia do que acontece na noite, estão escrevendo para nós.

Você disse que a revista depois de distribuída, não sobra. Já é possível ter um retorno dos leitores?

LR – Temos bastante retorno, todo mundo gosta da Out! porque ela é inédita, gosta porque ela traz um bom serviço e gosta porque ela traz textos legais e bacanas, daqueles que o leitor não vê muito em jornal, ou quando vê, percebe que é uma coisa diluída. Ela funciona um pouco como revista. A idéia inicial nem era ter tantas matérias assim, apenas uma ou duas.

Vocês criaram uma editora própria para lançar o guia?

LR – Criamos uma editora que se chama Studio 52. Eu já era sócio do João Carlos numa micro-empresa que ele tinha para o trabalho de produção gráfica que ele desenvolvia. Quando resolvemos fazer a Out!, transformamos essa micro-empresa em editora.

A Out! pode vir a ser incorporada por uma grande editora no futuro?

LR – A Conrad acenou com a possibilidade de levarmos esse projeto para lá, mas nós queremos tentar sozinho. A Out! não custa muito caro. Se ela conseguir se pagar, acaba sendo uma diversão bacana, no mínimo. É claro que sempre pensamos nela como um produto sólido no futuro. Eu não sou publicitário e acabo me vendo sempre em reuniões nas agências de publicidade com grandes diretores de mídia. É uma fase de aprendizado engraçada. O guia não me tira muito tempo. Há um certo trabalho, mas dá a possibilidade de que eu mantenha outras atividades. Na verdade, é uma experiência. Se der certo, vamos adiante, senão nós paramos. Fizemos tudo sem planejamento, é uma coisa empírica. Colocamos a revista na rua para ver onde ia dar.

Você pode falar em números?

LR – Ela custa R$ 5 mil, aproximadamente. Se vendermos dois anúncios, capa e contra-capa, é possível cobrir essa despesa. O resto que vier é lucro, até porque não há muito onde investir, a não ser pagar as colaborações. Como eu disse, não é uma revista cara de se fazer. Os preços dos anúncios são baixos comparados a qualquer revista de porte médio da Editora Abril. A venda de anúncios funciona assim: um amigo me diz que conhece algum fulano de agência, eu peço o contato, ligo, peço para mostrar a revista e marco uma reunião. Tinha duas reuniões marcadas, uma na Fischer, que uma gigante do meio publicitário e outra na DM9. Já fiz outras reuniões com pelo menos outras três agências grandes. Todo mundo adora a revista, o problema é aborda-los na hora certa, na hora de campanha certa para que eles possam anunciar. A parte editorial caminha sozinha, agora é só aprimorar a área comercial, que é uma parte que não conhecemos muito bem. Se a Out! não tivesse anúncios, eu poderia bancar duas edições sozinho. Como já rolaram alguns anúncios, ela tem um lastro de vida de uns dois meses. Enquanto acharmos que essa brincadeira está legal, seguimos em frente.

Jornalismo musical

Qual a avaliação que você faz do atual estágio vivo pelo jornalismo musical?

LR - Como eu respondi antes, estamos num país onde não existe uma indústria musical, é tudo muito jogado. As coisas vão acontecendo de uma forma abrupta e não se estabelece uma cena. Dentro disso, há gravadoras que em determinados momentos lançam coisas bacanas e em outros soltam lixo atrás de lixo. Existem jornais que às vezes fazem uma cobertura bacana de discos e bandas. Não temos rádios de qualidade, agora é que há um suspiro com a Rádio Brasil 2000 FM, que voltou a apostar numa coisa bacana para o público de São Paulo. Vamos pegar como exemplo a França, que não é um pais com tradição em rock e até mesmo na cena eletrônica, como os EUA e a Inglaterra. Lá, eles têm três revistas e uma delas é uma das principais do mundo que é a Les Inrockuptibles, preocupada com a cena independente de rock e música eletrônica. Eles têm também duas ou três rádios fortíssimas que estão na Internet e no dial. Eu sempre cito uma que é a Oui FM, e você pode escolher o tipo de música que deseja ouvir, desde o rock, o indie rock, o metal, etc. Na França, eles têm várias lojas, desde grandes lojas até pequenas. Os jornais de lá cobrem a música pop de forma decente Há um circuito de shows e neles se encontram anúncios da rádio, anúncios das lojas, enfim, tudo compõe uma cena, uma coisa movimenta a outra, existe essa engenharia da música pop. O que acontece no jornalismo musical brasileiro? Não há revistas e as que circulam por aí tentam sobreviver da maneira que dá. É difícil colocar pautas de música em jornal mainstream. A linha da Folha sempre foi a de textos que, de uma certa forma, instigassem o leitor a ir atrás das coisas. Não dá para escrever na Folha como se escrevesse para um fanzine, até porque está se falando com um público mais amplo, mas se eu acho uma banda legal, tenho que colocar o coração no meu texto para que esse leitor, no mínimo, fique instigado, que ele pense mais ou menos assim: "pô, esse cara está falando tanto dessa banda, falando com tanta devoção desse tipo de cena, desse tipo de disco, que eu vou experimentar ouvir para saber como é". Se sai uma crítica do disco dos Libertines que instiga o fã do Zeca Baleiro a ouvir essa banda já é uma vitória. Dá para contar nos dedos jornalistas que escrevem textos assim: o Tom Leão e o Carlos Albuquerque, do Globo. O Bruno Porto, do mesmo jornal, também é muito bom. Dá para encontrar uma cobertura que está longe de ser consolidada, mas que está bem decente, no Jornal da Tarde. O Thiago Ney, da Ilustrada, eu posso citar. São caras que conseguem passar isso num lugar onde não existe cena, mas fragmentos de cena. Existem pessoas que escrevem colunas ou em blogs e eu não concordo com nada do que escrevem, mas eu quero saber o que eles estão pensando, o que eles estão vendo e ouvindo. Alguma coisa eu posso tirar disso. Eu tenho um amigo, cujo nome não vou citar, que é assim: não concordo com nada do que ele escreve, mas ele o faz com tal paixão e isso que me faz acompanhar o trabalho dele. Sempre estamos trocando e-mails.

Você acha que o fato dos internautas baixarem músicas da Internet vai acabar eliminando a figura do jornalista musical como um elo de ligação entre a produção musical e o leitor?

LR – Aqui no Brasil nunca se precisou do jornalismo musical para isso, até porque nunca existiu uma cultura de música decente, a não ser em guetos. Quando eu falei dos Strokes pela primeira vez, estava falando com umas vinte pessoas, no máximo. Se um jornal dá uma capa para eles, está se falando com 20 mil pessoas. Se esse segundo disco for bom, uma crítica sobre o terceiro disco vai falar com 100 mil pessoas. O começo é sempre de gueto. Com a coluna que eu faço na Folha On Line, sei que estou falando para moleque que sai a noite, vai segunda-feira no The Edge, pessoas que vão na Funhouse, na LOVe. No jornal, eu tenho de falar com o cara que está indo comprar o disco do Zeca Baleiro e do Fagner. É para ele que eu queria falar do Libertines, do Raveonettes, é ele que eu quero trazer para a cena. Muita gente reclama que eu falo de coisas internacionais, mas é porque eu opto por falar disso, uma vez que eu penso que há jornalistas que podem falar melhor da cena brasileira, são duas cenas. Eu não preciso falar de jazz na minha coluna que é uma outra cena...

Então você se definiria como um crítico musical especializado em rock e não um crítico musical no sentido estrito do termo?

LR – Sim, eu tenho um pé dentro do rock, mas estou atento as coisas eletrônicas e as coisas pop também. Hoje em dia, são coisas que se misturam. Está tudo muito globalizado também, muito por culpa da Internet. Voltando a sua questão anterior, eu não acho que a Internet vá matar o jornalismo de papel. É um componente fortíssimo e que pode até ser superior na qualidade informativa, mas é um componente da cena. Se existir um jornal forte falando das coisas legais do pop, se existir a Internet, rádios e gravadoras legais, vai ser bom para todo mundo. Se o leitor ouve uma banda como o Charlie Brown Jr., ele só vai ouvir essa banda. Quando apresentarem a ele uma outra banda, vai haver um termo de comparação no qual se pode optar depois. O Brasil sempre teve em todos os níveis um lance de se trabalhar com uma certa ignorância das pessoas, isso é uma herança cultural sádica que temos. Quanto mais burro é quem está do outro lado, é mais fácil de maneja-lo, tanto politicamente, como culturalmente. Quanto mais se oferecer outras opções para as pessoas com seu texto, é uma maneira de ir contra isso. O que eu faço é mostrar para o leitor outras coisas, além das quais ele está acostumado.

Qual a sua opinião sobre a qualidade das revistas musicais que estão hoje no mercado?

LR – Muitas vezes eu me nego a falar sobre isso na minha coluna porque eu acho que tenho uma voz que é muito ativa nesse meio. Então, não vou quebrar discos, como faz o pessoal do programa Garagem ou então falar mal de alguma coisa, como o Álvaro Pereira Jr fala. Acho legal que existam esses personagens, mas no meu papel , simplesmente, não falo. É o início de uma cena e espero que isso não pare por aí, como houve um movimento semelhante nos anos 80, mas que se perdeu num dado momento. Nos anos 90, com o estouro do Nirvana houve algo que espelhou aqui no Brasil de bandas novas, rádios legais, matérias em jornal. Então, isso está voltando agora e não vou ficar falando mal enquanto essa cena está se estabelecendo. Se ela estivesse estabelecida, seria uma outra coisa. Se algum crítico falar mal de alguma banda da Inglaterra ou dos EUA, dá para falar até porque existem milhares de bandas. Porém, penso que seja complicado falar mal numa cena que está em construção como aqui, principalmente, no meu caso, se eu tenho uma voz. Então, simplesmente me calo. Recebo 200 CDs por semana, ou então sites com indicação de arquivos MP3. Quanto mais bandas existirem e estiverem estimuladas a nascer, mais bandas legais vão surgir. Prefiro apontar meu farol para essas bandas que são poucas e boas e para jornalistas que são bons, mas poucos, a ficar falando mal. Deve haver muita quantidade para depois se tirar uma qualidade.

Então você faz o mesmo com as revistas que estão sendo lançadas no mercado...

LR – Dentro de uma revista, que é uma coisa mais geral, existem coisas boas, assim como há coisas ruins. No jornal é a mesma coisa. Num texto específico também. O leitor pode ler uma crítica e sacar que o autor teve uma boa idéia, mas que no parágrafo seguinte ele já detonou tudo. É incrível sair na capa da Ilustrada uma matéria falando da crise da música eletrônica. Ela deveria ter saído no ano 2000, caberia muito bem nessa época, agora ela sai com três anos de atraso. É fácil apontar uma crise de criatividade agora e não notar que ela existia há muito tempo. E justamente a partir dessa crise, a música eletrônica foi para vários lugares, várias vertentes e agora ela está ficando muito criativa. Então, determinar essa crise hoje é um desserviço louco. Fico a vontade para falar disso, pois é o jornal onde eu trabalho. Conheço a pessoa que fez essa matéria, é uma pessoa antenada, mas do jeito que a coisa foi pautada, discordo totalmente. Existem outras duzentas coisas para se colocar numa capa de um caderno como a Ilustrada a falar de uma coisa que caberia discussão no jornal em 2000.

E-zines, a coluna e o leitor-fonte

Você costuma acompanhar os blogs e os e-zines?

LR – Acho os blogs bem legais, trata-se de uma coisa bem pessoal e gosto é gosto. Procuro ver todos os que os próprios autores me indicam, através do e-mail. Não sou de visitar um blog com uma certa freqüência, mas eu acabo tirando informações de muitos deles. Essa molecada que faz blogs tem uma certa proximidade com a minha coluna, que tem uma cara de blog. Eles tentam me fornecer coisas para aparecer na coluna e fazer com que ela seja uma extensão deles. Acho isso interessantíssimo. Quando eu atraso a entrega da coluna, pelo fato de estar atolado no trabalho, eu coloco uma cascata qualquer e acaba sendo impressionante o número de pessoas que reclamam de mim. Alguns me perguntam por que eu não mudo para as quintas-feiras e respondo que se mudar, vou atrasar do mesmo jeito. Prefiro que deixe na quarta-feira mesmo, assim tenho um dia de atraso, fico desesperado e daí eu trabalho na coluna. Jornalista funciona assim. Essa cumplicidade que eu tenho com os leitores é inacreditável. É muito melhor do que a cumplicidade com o leitor do jornal. Num dia eu cheguei e escrevi que estava sem assunto. Era mentira , sempre há assunto para falar, de um modo ou de outro. Brinquei dizendo "Alguém tem algum assunto aí? Dá uma ajuda aí?" Você não tem idéia da quantidade de coisas que vieram . Eu tenho um exército de leitores que metem o pau em mim, mas que não deixam de ler uma linha da coluna. Uma hora ou outra, esses caras estão me passando uma informação legal. Construo a coluna com o farol do leitor. Às vezes eu estou alucinado com o fechamento da Capricho ou fazendo uma reportagem para a Ilustrada ou cuidando da Out! e fico sem saber o que está acontecendo. Daí, chega um e-mail de um moleque que me diz que eu falei de uma banda, mas que ele acha que é nada perto de uma música do Outkast, que é uma dupla norte-americana que está lançando um CD agora. Fui ouvir a música e foi uma das melhores coisas do ano. Essa informação veio de um leitor. Se não viesse dele...Eu até acompanho o que o Outkast faz, gosto deles, mas essa informação não iria chegar para mim com a contundência que chegou. Escrevi que era a música do ano e até brinquei que tenho várias "músicas do ano" que mudam a cada quinze minutos, mas a vida é assim mesmo. A coluna não tem a pretensão de cobrir tudo, não tenho a obrigação de falar de tudo, gosto de pegar alguns pontos e jogar lá e eu sou muito cobrado pelos leitores por causa disso. Essa é uma exigência legal que vem dos leitores e eu não tenho isso na Folha. Sei que meus textos no jornal chegam para muita gente, mas ninguém me deu música porque eu escrevo lá. Ninguém me chama a atenção para certas coisas como eles. Por isso é que eu digo que ninguém engana ninguém. Como posso falar que o Kings of Lion é bom se em dez minutos um internauta pode baixar e achar que é um lixo? Eu faço colunas só com o que o leitor está falando. Não é o Lúcio que é esperto, o Lúcio que é esperto o suficiente para aglutinar essas coisas que vem deles e colocar num formato que possa instigar outras pessoas que não ouvem bandas como essas.

Você estaria criando a figura do leitor-fonte?

LR – Eu tenho uns dez leitores que sempre quando chega e-mail de cada um deles eu paro tudo só para ler. Um moleque de Piracicaba, no quarto dele, sabe mais que muita gente boa que fez faculdade e está escrevendo em grandes jornais.

Numa entrevista ao site Trabalho Sujo, do jornalista Alexandre Matias, você refutou as acusações de que seus textos são copiados de revistas musicais estrangeiras. Num determinado momento, você disse que deu coisas em sua coluna antes dessas publicações. Poderia citar um exemplo disso?

LR - Eu vi em Nova York um show da Miss Kittin, escrevi na minha coluna, e a imprensa de lá foi publicar algo sobre ela duas semanas depois. Outra coisa que eu falei antes foi sobre o Erol Alkan, que estava na cara deles. Ele é DJ de um club em Londres onde acontece a noite de rock indie mais legal do mundo. Falei dele e dessa noite muito antes da New Music Express. Ele estava escalado para tocar agora no Tim Festival. Uma semana antes do Abril Pro Rock fui ao Recife e encontrei lá um jornalista que cobre cultura pop para o The New York Times. Ficamos conversando e comentei que estava rolando uma cena legal em Nova York e falei dos Strokes que estava puxando essa cena. Ele me disse que não conhecia, não tinha ouvido falar da banda. É a mesma coisa que dar uma capa para a banda brasileira Forgotten Boys no NYT sem a Folha ter publicado antes, que é ridículo por que eles estão em todos os lugares, vão sair num ensaio para a Capricho. A Folha deu espaço para os Strokes muito antes que o NYT.

Picaretagens jornalísticas

O que te motivou a revelar numa de suas colunas o fato de que uma entrevista com Julian Casablancas, vocalista do Strokes, publicada numa edição da Revista da MTV é falsa?

LR – Eu já sabia desse caso há muito tempo, muita gente do meio jornalístico tem conhecimento dele e sabe quem foi o autor da entrevista falsa. Sempre procuro falar na minha coluna a respeito de temas que acontecem no momento e usa-las como gancho, como a Copa do Mundo, a guerra entre EUA x Iraque, por exemplo. Naquela semana específica havia explodido o caso dos plágios cometidos pelo Jayson Blair no jornal The New York Times e aproveitei para tocar no assunto. Há algum tempo, tive a oportunidade de estar nos camarins com a banda depois de um show e eu estava conversando com o baterista Fabrizio Moretti, que é de origem brasileira. Levei uma edição da revista Dynamite que tinha uma entrevista com ele, isso foi um pedido do Humberto Finatti, e também levei a cópia de uma capa da Ilustrada que eu fiz sobre os Strokes. No meio do papo eu falei da tal entrevista do Julian deu à Revista da MTV. O Fabrizio estranhou e me disse que o Julian não fala com jornalistas. Pedi que essa informação fosse confirmada, o Fabrizio foi falar com o Julian e na volta ele assumiu que o Julian não deu entrevista alguma, ainda mais por e-mail. Não imaginava a repercussão que essa notícia iria ter.

De quem foi a culpa nesse caso: da Revista da MTV ou do repórter?

LR – A culpa foi do próprio repórter...

Queria te dar um exemplo: se amanhã eu chego para você e digo que fiz uma entrevista via e-mail com o J.D. Salinger, que é um escritor recluso, esse sim que não fala com ninguém, você não tomaria um certo cuidado?

LR – São coisas diferentes. O Julian Casablancas é um garoto e aquela entrevista foi completamente insossa, poderia ter saído em qualquer lugar. Era o tipo de oportunidade para fazer algumas perguntas específicas sobre o Brasil, uma vez que o baterista deles é brasileiro. Se o Julian tivesse falado mal de alguém...E a Revista da MTV nem é tão importante assim no cenário musical.

Você pretende revelar a identidade do autor desta fraude algum dia?

LR - Não, até porque a pessoa que fez isso está pagando pelo o que ela fez até hoje.

Existem outros casos de picaretagem jornalística na área cultural que você conheça? Poderia revelar alguns deles?

LR – Existem outros casos da própria pessoa que fez essa falsa entrevista, existem casos na Folha, no Estadão e no Valor Econômico, mas são coisas isoladas e não se trata de uma tendência comum na imprensa. Se existisse uma onda de reportagens ou entrevistas inventadas, aí sim haveria sentido em se falar mais a respeito.

quarta-feira, junho 22, 2005

Navegando por aí achei o texto abaixo no blog http://sondazkavernas.blig.ig.com.br/

Escuta aqui, Álvaro Pereira Jr.: vê se toma tento, rapaz, e tire a cera dos ouvidos!!!

Está na net a lista diferente do tipo: igual a essa você não vai ver porque foi feita por um cara diferente - ele, o editor descolado do "Fantástico". Oh! Fantástico. Colunista do Folhateen. Ah! Folhateen! Veja só: O homem não gosta do show do Coldplay porque parece o Radiohead fazendo balada há dez anos, mas acha o Dandy Warhols imitando o Bowie de dez anos atrás o máximo - ultra "muderno". Palmas pra ele! Muito coerente! Bom mesmo foi o show do Stereo Total, aquela dupla que mais parece um "protótipo mal resolvido do Pato Fu, em iní­cio de carreira"! Claro, foi diferente. Péssimo, mas diferente. É disto que caras diferentes gostam. Não entrou na onda do Kings of Leon, mas aprovou o 2º do Strokes porque este dita a moda. Genial! Colocou o disco mais recente do Massive Attack na lista dele, deixando um aviso de que o cd não seria encontrado em nenhuma outra lista de melhores de 2003. Óbvio, com tantos discos legais lançados ao longo do ano, ninguém iria lembrar mesmo deste. Só ele - o jornalista musical diferente. Viva a diferença! Viva o Álvaro - o editor "modernizado" do "show da vida"! O Rapture só não é pior que a Preta Gil. Ah, tá bom! O "Elephant" não é ruim (!?!?), mas o excesso de hype atrapalha. Que comentário estupendo este!!! O que ele falou mesmo de relevante na lista dos melhores e piores do ano: o "Hail to the Thief" é um discaço feito por "um cara que todo mundo sabe que é um gênio" (no caso, o Thom Yorke do Radiohead). Ufa. Nesse ele não teve como apelar pra difereça e falar mal, então preferiu dizer que todo mundo acha o cara e a banda geniais só pra não ser totalmente igual ao resto e não "descer" pro mesmo patamar do "público comum". É que ele gosta do Radiohead de um jeito diferente, sabe. Isso é que dar fazer a mesmice do Fantástico e criar as polêmicas manjadas de sempre, durante todo o ano. Aí­, quando chega dezembro, o cara tenta ser e fazer algo tão ímpar que perde a noção da realidade, do bom senso... Ainda bem que não gosto de música e nem estudei jornalismo pra tentar ser diferente dos outros! Será que o Álvaro Pereira "cool" Jr. escutou em 2003 o novo do Stairsailor, o Hot Hot Heat, o The Thrills, o Danko Jones, o Datsuns, o Raveonettes e vários outros. Parece que não. Editor do "Fantástico" não deve ter tempo pra isso!!!


Criticar todo mundo adora, mas ser criticado...xi, marquinho...

terça-feira, junho 14, 2005

Bem, está na hora de acabar com essa "polêmica". No começo foi até divertida, mas cansou. Depois dos seis comentários em seqüência que Terence Machado deixou aqui, imagino que a coisa deve ter virado uma obsessão para ele. Notem que foram seis mensagens num prazo de menos de 24 horas. Ele poderia gastar seu tempo livre com algo mais produtivo.

Uma de suas muletas nessa discussão é questionar a relevância do meu trabalho. Quero mostrar aqui alguns exemplos de que a coisa não é bem assim como ele coloca. Guardadas as devidas proporções, as coisas que eu tenho feito tem ganho um certo eco aqui mesmo na Internet.

Vários textos que eu publiquei no Observatório da Imprensa sobre weblogs e revistas eletrônicas ou e-zines volta e meia são usados no meio acadêmico. No segundo semestre do ano passado a professora do curso de Cybercultura de uma faculdade que infelizmente não está identificada linkou um de meus textos e o indicou como bibliografia. A prova está aqui: http://ciber2004-2.blogspot.com/2004/09/nesses-quase-sete-anos-de-uso.html

Um outro exemplo está aqui: um daqueles textos do Observatório foi linkado no no site Notícia na Internet, mantido durante algum tempo por seis alunos de Comunicação Social da UFMG.

Mais?

Os alunos de Comunicação Social da UFRN também seguem a mesma fórmula de compilar textos que julgam interessantes e que possam ter alguma valia em seus estudos. O site Toque de Rádio traz pelo menos uns dois textos meus, sendo que um deles é esse aqui: http://www.comidia.ufrn.br/toquederadio/html/artigo08.htm.


Voltando ao Observatório da Imprensa, tive outro texto com ampla repercussão, justamente aquele no qual eu falo dos reflexos no jornalismo musical com o surgimento da "Geração MP3". Essa essa mesma pensata teve espaço no Coletiva.net, um importante site sobre comunicação do Rio Grande do Sul, e no site do Mombojó. Não foi pouco.

Uma entrevista que fiz com o jornalista Marcel Plasse mereceu transcrição em outro site de estudantes, o da Faculdade Jsimões, de Gurapari. Tá aqui.

Um outro texto em que procuro identificar os partidos politicos da crítica musical teve seus trechos transcitos pelo Fábio Blager em seu blog: http://jornalivro.blogspot.com/2004/07/clube-do-bolinha.html Quem o reprodiziu também foi o jornalista Claudio Julio Tognolli em seu site pessoal. Não sei se Terence o conhece, mas Tognolli é um dos papas do jornalismo investigativo daqui. O texto tá aqui: http://www.tognolli.com/html/mid_rod.htm.

Adiante.

Vejam só o que disse o blogueiro Vini, do Mosca Garageira, a respeito de uma entrevista que eu fiz com o jornalista Ricardo Alexandre, autor do Dias de Luta: "Essa entrevista, feita pelo jornalista Rodney Brocanelli, tem mais vida e informação que qualquer artigo sobre o tema "crítica musical". O link tá aqui para provar que não estou mentindo: http://furdunzzo.blogspot.com/2003/09/crtica-da-crtica-musical-nessa-de.html. Essa mesma entrevista recebeu menção num arigo do jornalista Marco Antonio Barbosa no site Scream and Yell.

O mesmo Vini também transcreve um post que fiz aqui sobre o jornalista Álvaro Pereira Jr.: http://furdunzzo.blogspot.com/2003/09/da-srie-voc-um-homem-ou-um-rato-o.html.

Nem vou esmiuçar aqui o meu trabalho no Laboratório Pop. Só peço a Terence que passe por esses links: http://otites.blogspot.com/2005/01/info-nin-em-digresso-e-entrevista-ao.html, http://sbubs.zip.net/arch2004-03-01_2004-03-31.html, http://citysickness.zip.net/arch2004-08-01_2004-08-07.html, http://amocaju.blog.uol.com.br/arch2004-08-22_2004-08-28.html, http://www.loshermanos.blogger.com.br/2004_08_01_archive.html, http://dbdgdgd.blogspot.com/2004_03_01_dbdgdgd_archive.html, http://santuariosmiths.blog.uol.com.br/arch2004-12-01_2004-12-15.html , http://whitestripes.zip.net/arch2005-02-01_2005-02-28.html, http://bandofbloggers.blogspot.com/2004/03/blogs-sofrem-intimidao-e-so-ameaados.html

Acho que é o suficiente, embora creio que Terence vá continuar com sua mesma ladainha, baseada em três repetitivos pontos: que eu devo pegar meu banquinho e sair de fininho (tá assitindo demais o seu Raul), me chamando de indie como um xingamento (e depois ele não é preconceituoso, não é mesmo?) e desqualificar meu trabalho. Mas ele pode seguir com sua toada, pois vai ficar falando sozinho. Para encerrar, digo que a péssima impressão que eu tinha de Terence Machado se confirmou. E chega. A partir desse momento, o lanterna aqui não irá mais falar de Terence e seusuper, mega hipersucesso Alto Falante.

sábado, junho 11, 2005

Algumas coisas que tenho feito por aí:

-O Observatório da Imprensa trouxe uma entrevista com o radialista Roberto Miller Maia, ex-diretor artístico da Rádio Brasil 2000 FM, de São Paulo. O assunto principal foi o recente acerto entre a emissora e o Grupo Bandeirantes. O resultado é que os 107,3Mhz estão retransmitindo o horário nobre do jornalismo da Rádio Bandeirantes AM, 840KHz também de São Paulo.

-A quadragésima edição da revista eletrônica Bacana publicou um papo meu com o jornalista Tom Leão, um dos responsáveis pela seção Rio Fanzine, d'O Globo (RJ). Em comemoração aos 18 anos de longevidade desta proposta editoral, Leão e seu parceiro Carlos Albuquerque lançaram um livro-coletânea (pela Editora Record) com os melhores textos publicados ao longo desse tempo.

A respeito do post anterior, o apresentador do Alto Falante, Terence Machado, deixou um comentário. Democraticamente, o coloco aqui no blog. Vamos lá:

Gostei do seu comentário, típico de um cara "indie", Rodney. E o "roqueiro preconceituoso" sou eu? Primeiro vou corrigir, o programa não dá só traço, vive marcando 1 ponto e, vira e mexe, dá picos de 2 a 3 pontos, mesmo passando num horário completamente ingrato, na madrugada de sábado pra domingo, numa tv educativa - o que não é pouca coisa. Tem tão pouca audiência e, por isso, deve ter conseguido mais votos que os 3 concorrentes da MTV e abocanhado o Prêmio Claro, né?

Quanto à explicação de coisas como o Supergrass, é simples. Fomos completamente boicotados, principalmente, no ano passado, por uma diretoria completamente bizarra e que (por sorte) já foi afastada da Rede Minas (por problemas graves que incluem, entre outras coisas, suspeitas fortíssimas de corrupção!). Ainda assim, conseguimos fazer a cobertura de, praticamente, todos os principais festivais de música do País, com pouquíssima estrutura e um bocado de esforço e competência (modéstia às favas, meu caro "bloggeiro indie").

Então é isso, e pode acreditar, fazer um programa como o Alto-falante, numa estatal, conseguindo reconhecimento nacional é bem mais difícil do que fazer pichações inconsistentes em blogs. Grande abraço.


Só queria fazer uma réplica: com relação à votação própriamente dita do Prêmio Claro, nada impedia uma mesma pessoa de votar com quantos mails ela tivesse. Então, se fulano tem cinco endereços, ele poderia exercer seu voto através deles todos. Talvez se a votação ficasse restrita a IP, as coisas poderiam ser diferentes.

Outra coisa: quem falou certa vez num fórum do Orkut sobre as "teorias bizarras" de um conhecido jornalista musical, não fui eu. E se isso não é preconceito, sei lá o que é mais. É isso.


Update:(12/06/2005) Pois é, Terence Machado decidiu agora me atingir pelo fígado, me chamando de recalcado aqui no sistema de comentários. Ele diz que tenho de pedir desculpas a ele, mas não vejo o porquê disto. Não o ataquei moralmente, nem pessoalmente, apenas expus minhas opiniões. Talvez a premiação tenha lhe subido a cabeça. Pior do que não saber perder é não saber ganhar. Se ele não gostou, paciência. Isso reforça uma tese antiga minha: jornalista adora criticar, mas odeia ser criticado.
Sobre o papo de relevância, acredito que ele atingiu não apenas a mim, mas a todas as pessoas que são personagens de minhas entrevistas ou reportagens e os responsáveis pelos veículos com os quais colaboro. Sim, porque eu não faço nada sozinho, muito menos invento coisas.
Sem querer, o Terence teve uma ótima idéia para tirar o programa dele do traço aqui na TV Cultura. A participação da dupla Repórter Vesgo-Ceará poderia dar um upgrade legal na audiência do "Traço Falante".


Update:(13/06/2005) E continua a ira de Terence Machado aqui no sistema de comentários. Falando em nome da equipe de seu programa, ele diz que "não temos problemas com relação a críticas negativas, desde que sejam fundamentadas e não mostra de total despeito". Ora, eu dei uma informação, a de que o programa dá traço, e duas opiniões, que Terence faz uma linha que eu não gosto e que não concordo com o fato de numa semana o programa adotar um formato, e na semana seguinte adotar uma linha diferente. Onde está o recalque?
Para me desqualificar, Terence fica usando o fato do meu blog ter ficado em último lugar numa das categorias do Prêmio Claro. Se ao menos ele lesse direito o post de 14 de maio... Como eu teria pretensão de ficar nas primeiras colocações se eu quase não tenho escrito aqui? Como teria pretensões maiores se fiz apenas uma campanha discreta mandado mail ao pessoal que é mais chegado a mim? Infelizmente, o apresentador de tv prova que não tem equilibrio suficente para ser criticado. Ele vem jogando pela ladeira o nível do debate. Ao final de seu ataque de raiva, ele decreta: "Então, procure respeitar pra ser respeitado porque ninguém gosta de levar desaforo pra casa".

Update: (14/06) Terence Machado volta a ocupar este espaço, mas infelizmente ele se esquece do escreveu aqui. Ele diz que eu dei uma informação errada sobre o traço que o Alto Falante dá no Ibope. Só que em sua primeira intervenção aqui neste blog, o apresentador escreveu claramente que "o programa não dá só traço". Ou seja, ele confirmou o que eu escrevi. O programa pode ter lá seus picos de 1 a 2 pontos, mas dá traço. Mas tudo bem, deixo esse esquecimento na conta da sua raiva contra mim.
Terence ainda diz que eu não expliquei minimamente porque ele faz uma linha da qual eu não gosto. Se ele parasse de espumar de raiva e lesse com calma o que eu escrevo, entederia o motivo. Mas eu repito, quem sabe ele possa entender: "Outra coisa: quem falou certa vez num fórum do Orkut sobre as "teorias bizarras" de um conhecido jornalista musical, não fui eu. E se isso não é preconceito, sei lá o que é mais. É isso".
Na sequencia, ele ainda tenta me explicar o que é especial: "quando você sai do formato padrão pra dedicar toda a pauta do programa "ESPECIALMENTE" a um artista e/ou assunto". Bem, o programa é dele e pode fazer o que bem entender. Particularmente, não gosto, acho de uma tremenda esquizofrenia editorial. É minha opinião. Alías, outro dia, na comunidade do Alto Falante no Orkut questionaram a mesmissima coisa a Terence
Por final, fica com ironias vazias: "E nas horas vagas vc faz o que? Ah! Escreve uma coluna sobre blogs pra Laboratório Pop!!! Parabéns pelos seus reconhecidos e premiados textos, trabalhos e esforços profissionais!". Sobre esse ponto, respondo depois com mais tempo.

sábado, maio 14, 2005

Opa, tava mais que na hora de tirar as teias de aranhas e varrer a poeira deste blog. O fato é que nos últimos meses, o tempo para me dedicar a este espaço ficou cada vez mais curto. Isso por causa de dois motivos nobres. Um deles (e o principal) é que eu voltei a estudar, e isso me fez dar adeus as longas madrugadas em frente ao computador. Eu até andei pensando em colocar um ponto final ao Onzenet, mas não quero dar uma de Silvio Caldas, cantor que vivia se despedindo da carreira de cantor, mas que sempre dava um jeitinho de retornar aos palcos. Então, fica combinado o seguinte: sempre que eu tiver alguma a dizer, deixo meu recado por aqui. Só não vou garantir uma periodicidade fixa. Pode ser a cada duas horas, como a cada duas semanas. Vou procurar manter minha colaboração regular com os sites Laboratório Pop, Observatório da Imprensa, Bacana e Papo de Bola, portanto, volta e meia eu emplaco alguma coisa nesses lugares e continuo motivado a isso.

Uma coisa legal que aconteceu nesse meio tempo é que o Onzenet foi indicado ao Prêmio Claro de Música Independente na categoria Melhor site, coluna ou fanizne on line. Nem divulguei nada aqui no blog. Fiz uma pequena campanha ao pessoal que é mais chegado a mim. É óbvio que não tinha nenhuma grande esperança, até porque não estava dando a devida atenção a isto aqui. Talvez seja esse o principal motivo pelo qual o blog ficou na última colocação com 0,45% dos votos. Ou seja, fui o lanterna do Prêmio Claro. Se eu tivesse uma verba (e tempo) disponível até daria uma festinha para comemorar o fato. O resultado não deixa de ser interessante. Tem gente que se envergonharia com tal fato, mas eu levei na boa. A única coisa que lamento foi não ter sido convidado para a festança. Mancada da organização.

Com relação ao prêmio Claro, tenho só um reparo na minha categoria. Acho que ela funcionaria melhor se fossem separados sites de informação ou e-zines, blogs e sites para baixar músicas da bandas independentes. Não faz o menor sentido colocar sites como o Bacana e o Scream and Yell concorrendo com o site da Trama Virtual. Também não há como colocar como concorrentes sites como o da Wishplash (que levou o prêmio), que tem a estrutura de um portal, com colaboradores e tudo o mais ao lado de blogs "de uma pessoa só" como o Onzenet, o Discoteca Básica e o Na Cova do Leão. É algo para os organizadores do prêmio pensarem na próxima edição.

Na categoria melhor revista, ganhou a Outra Coisa, seguinda pela Mosh. Resultados normais, uma vez que a revista do Lobão, está em todas as mídias, enquanto que a Mosh tem um forte garoto-propaganda que é o Regis Tadeu, com presença fixa no Superpop, programa de TV apresentado por Luciana Gimenez. O Laboratório Pop ficou com 4,0%, um expressivo resultado para uma publicação que tem pouco menos de um ano de vida e enfrenta todas as dificuldades inerentes a revistas independentes para se firmar no mercado.

A Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre, conquistou o título na categoria rádio, ficando a frente da Brasil 2000 FM, de São Paulo. Não acompanho a emissora porto-alegrense, mas conheço um pouco de sua história e creio que houve justiça. O Alto Falante ficou com o prêmio máximo do quesito televisão. O programa é produzido pela Rede Minas. Passa aqui na Cultura de SP e só dá traço no Ibope. Não concordo com certos pontos de sua linha editorial, como de repente, do nada, fugir de seu formato de revista eletrônica e dar um especial de uma hora para o Supergrass. Qual seria o critério para escolher essa banda e não outra? Além do mais, seu apresentador, Terence Machado, faz a linha "rockeiro preconceituoso" que a mim não agrada.

O Prêmio Claro teve outras categorias, mas preferi ficar mais nessas ligadas a mídia. A relação completa está aqui.

 
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